Quarta-feira, Março 10, 2010



The Best is Yet to Come- Parte Final



Meridiana empurrou o peito de Jarno com a mão que estava livre, tentando afastá-lo de si. O estômago revolvendo de ansiedade e desconforto. Como antes, ele forçou passagem pelos lábios dela e, mais uma vez, ela tentou repudiá-lo, sem nenhum progresso.

Então, deliciado por ter finalmente vencido a resistência de Meridiana, em meio a um suspiro Jarno aprofundou o beijo, e parecia-lhe que poderia beijá-la por toda a noite. Por sua vez, Meridiana sabia que haviam se passado poucos segundos, mas aquele beijo pareceu-lhe ter se estendido por horas angustiantes, a ponto de ela desistir de afastá-lo e se contentar a permanecer quieta, como uma estátua de gelo, esperando que aquilo o fizesse parar. Mas, àquela altura, Jarno di Caposanto não iria – e nem seria capaz – de parar.

Contudo, ao sentir-se agarrado com firmeza no ombro, o italiano soltou-se, por reflexo, da moça, sentindo, no instante seguinte, um punho acertar-lhe o rosto com o peso de uma marreta carregada de ira. Jarno cambaleou, surpreso com aquela interrupção tão dramática. Quando recuperou o equilíbrio, levou os dedos ao canto esquerdo de sua boca e descobriu que sangrava; olhou adiante de si e deparou-se com um Lucien irado, em guarda, pronto para atacá-lo novamente.

Mas que audácia daquele moleque, feri-lo daquela maneira! Camposanto, fixando o austríaco, deu um passo à frente. Os olhos bicolores de Lucien faiscaram em fúria incontida e mais uma vez ele avançou em direção ao conde.

Meridiana olhava atônita para os dois homens. Apesar de estar aliviada por Lucien tê-la resgatado dos braços de Camposanto, ela estava ansiosa e assustada. Nunca antes vira o namorado perder o controle daquele modo. Ela podia notar que a ira dele não se amainaria até que o rapaz conseguisse atingir pelo menos mais uma vez o conde. Contudo, Meri temia que Lucien também se machucasse na briga.

Os receios da moça não se concretizaram, pois, no mesmo instante, dois garçons chegaram por trás, segurando Lucien pelos braços. O dono do bistrô veio apressado em direção a Jarno.

- Está tudo bem, Excelência? – perguntou, trêmulo, com uma profunda reverência.

- Sì, sì, non há motivo para preoccupazioni con me – respondeu Camposanto, com um sorriso benevolente. A interrupção acalmara-lhe o ânimo, e agora via a situação com outros olhos. Aproximou-se de Meridiana e perguntou-lhe, obsequioso e delicado:

- Cara mia, precisa de alguma cosa? Quer che io mande prender questo insolente che nos atrapalhou e a assustou?

Meridiana mal escutou as palavras de Jarno; seus olhos estavam presos aos de Lucien, como se tentasse dizer, em pensamentos, que estava bem e estava grata por ele estar tão perto para protegê-la - como sempre esteve -, mas que, ao mesmo tempo, estava assustada e temerosa pelas conseqüências que incidente poderia trazer.

-Não é necessário... – ela balbuciou – A situação já está sob controle... Talvez seja melhor eu voltar para o castelo, sozinha – ela frisou, mantendo sua atenção em Lucien, apesar do recado ter sido dado para ambos os homens.

- Allora, che seja – anuiu Camposanto, com ar desapontado, tomando a mão de Meridiana e nela roçando seus lábios carnudos – Buona sera, Contessa, e mi dispiace per questo incidente ter estragado questo nostro encontro tão bello.

A moça apenas assentiu, automaticamente. Mesmo relutante em deixar Lucien para trás, ela sabia que aquela era a melhor decisão a ser tomada. Ela demorou-se mais alguns segundos fitando o namorado, antes de virar-se em direção à saída, escoltada por um dos funcionários do lugar.

Um meio sorriso assomou aos lábios de Jarno di Camposanto ao assistir àquela cena. Assim que Meridiana se foi, o conde acenou para o dono do bistrô, que imediatamente lhe trouxe suas luvas, capa e bengala, desmanchando-se em explicações e desculpas. Jarno mal lhe prestou atenção; mantendo o sorriso, o italiano encarava Lucien profundamente, enquanto abotoava sua finíssima capa forrada de cetim verde musgo e calçava as luvas de pelica. Divertia-o perceber que sua atitude exasperava ainda mais o rapaz, que começou a se debater na tentativa de livrar-se dos homens que o mantinham firmemente seguro.

-Isso não acabou - o austríaco murmurou por entre os dentes cerrados.

Jarno, ao ouvir a ameaça de Lucien, arregalou seus belos olhos amendoados e pôs-se a rir, uma risada baixa e profunda, enquanto meneava a cabeça, divertido. Virou-se para caminhar em direção à porta; todavia, antes disso, parou frente ao rapaz e, lentamente, atirou-lhe, com um sorriso condescendente:

- Eh... Criança!

E, ainda risonho, desaparatou à porta do bistrô, sem fazer qualquer caso dos esforços de Lucien em soltar-se para, se possível, esganá-lo com suas próprias mãos.



Segunda-feira, Março 08, 2010



The Best is Yet to Come- Parte 2



Desviando-se do olhar de Jarno, Meridiana provou um gole da taça, sentindo a bebida encorpada e levemente doce preencher sua boca como veludo líquido. Não podia negar que o sabor lhe era agradável ao paladar. Contudo, conforme ela intuíra, já no primeiro sorvo sentiu o rosto esquentando em reflexo ao conteúdo de sua taça. Jarno saboreou essa reação da jovem, que comprovava o que ele concluíra daquelas repetidas recusas em aceitar o vinho; Meridiana parecia temer que o álcool baixasse suas defesas. O italiano disfarçou um sorriso maldoso na beirada de sua taça; ele voltara a fitar Lucien, e viu que o jovem se endireitara na cadeira e observava tudo com atenção redobrada.

Nisso, uma circunstância deliciosa surgiu, capaz de oferecer a Jarno a dupla satisfação de poder ter Meridiana em seus braços e de espicaçar o austríaco: o som ambiente do bistrô ofereceu a seus ouvidos uma das melhores canções que ele poderia imaginar para uma dança. The best is yet to come... e era bem verdade, ele pensou, com um suspiro. Aproveitando que Meridiana pousara sua taça vazia sobre a mesa, Camposanto tomou-lhe a mão com firme gentileza e exclamou com voz aveludada:

- Conosce questa música, Contessa? Si chiama The Best is Yet to Come , e parla molto di noi ... Dança con me ?

A ruiva piscou os olhos, sentindo-se zonza e levemente desnorteada. Era por reações como aquela que não gostava de beber.

- Eu não sei se consigo - ela respondeu, sem mentir daquela vez.

Jarno riu, divertido, erguendo-se e tomando Meridiana pela mão:

- Cara mia, non c’è niente che você non consiga fare em la mia companhia – ele disse, ainda sorrindo – Basta lasciarmi guiá-la, e tutto será perfetto – completou, conduzindo a jovem para a pequena pista de dança e estreitando-a em seus braços fortes.

A moça sentiu a mão dele comprimir com firmeza a sua cintura, tornando menor o espaço entre os dois; o mesmo tremor angustiado reverberou pelo seu corpo. Contudo, seu raciocínio estava embaçado. Pelo visto o vinho era muito mais forte do que ela imaginara, pelo menos aquele entorpecimento estava tornando a situação mais tolerável. O passeio logo findaria e ela poderia voltar para Hogwarts, voltar para quem realmente amava.

Não foi difícil a Jarno certificar-se de que o vinho causara o efeito desejado: Meridiana deixava-se levar, ainda que não voluntariamente. O ritmo melífluo da canção somado ao tom sedutor de Frank Sinatra ao interpretá-la permitiam ao Conde diminuir a cada passo a distância entre seu corpo e o da jovem; entrelaçou os dedos de sua mão direita nos de Meridiana e deslizou a mão esquerda por suas costas, finalmente colando o corpo da moça ao seu. Com mais alguns passos, Jarno posicionou-se exatamente de forma a ficar de frente para Lucien, que esticava freneticamente o pescoço para acompanhar o deslocar do casal pela pista de dança.

O italiano não podia imaginar momento melhor do que aquele para concretizar seu intento. Com um suspiro, fechou os olhos, inclinou a cabeça, deslizou o rosto pelos cabelos de Meridiana e murmurou em seu ouvido, com voz macia e rouca, um trecho especial da canção:

The best is yet to come, and won’t that be fine
The best is yet to come, come the day that you’re mine

Come the day that you’re mine
I’m gonna teach you to fly
We’ve only tasted the wine
We’re gonna drain that cup dry

Wait till your charms are right, for the arms to surround
You think you’ve flown before, but you ain’t left the ground

Wait till you’re locked in my embrace
Wait till I hold you near
Wait till you see that sunshine place
There ain’t nothin’ like it here

The best is yet to come, and won’t that be fine
The best is yet to come, come the day that you’re mine…


O modo como a voz dele parecia ronronar no ouvido de Meridiana fez com que as brumas nas quais sua consciência havia se embrenhado se dissipassem rapidamente, fazendo com que a moça adquirisse um estado de alerta diante de um perigo iminente. O impulso da ruiva foi tentar se libertar dos braços de Jarno.

Como se já esperasse tal reação, o italiano, sem usar de violência, sem se aborrecer, estreitou Meridiana ainda mais; sabia que por muito que ela se esforçasse, ele era mais forte, não haveria como a jovem escapar-lhe. Aproveitando-se de que, na tentativa de fuga, ela endireitara o corpo e, assim, erguera também a cabeça, Jarno uniu seus lábios aos dela com urgência e firmeza, não sem antes cruzar o olhar com o de Lucien e dar-lhe uma rápida piscadela.

Porém, a maciez dos lábios de Meridiana embriagou o italiano, que imediatamente esqueceu-se do austríaco e concentrou-se apenas no prêmio que arduamente viera tentando conquistar. A jovem lutava, indefesa na prisão de seu abraço forte, e aquilo tornava o beijo ainda mais saboroso para Campostanto.

*continua...



Segunda-feira, Março 01, 2010



The Best is Yet to Come- Parte 1

Para ler este post, recomendamos ler ou reler: Noivado e Anel de Noivado

Meridiana sentou-se na cadeira que Jarno puxara para ela no pequeno estabelecimento que ele escolhera para o primeiro encontro dos dois fora de Hogwarts. O primeiro final de semana em Hogsmeade não parecia nada promissor para a ruiva.

Ela estava preocupada, depois do que acontecera no lago, temia que as coisas se complicassem mais. Lucien sempre fora alguém calmo e tranqüilo, mas ela sabia que por trás desse temperamento fleumático, ele podia ser bastante impetuoso. E, Meridiana se via agora presa a uma situação da qual não podia mais se desvencilhar.

Assim, mesmo contrafeita, ela aceitou o convite de Jarno para o passeio e aceitou que ele lhe tomasse o braço e a levasse até o bistrô que estavam agora. Era um lugar pequeno e aconchegante, que ficava nos limites da vila bruxa, e, também, pouco conhecido pelos demais alunos da escola, pois o lugar permitia que apenas maiores de idade cruzassem seus umbrais.

Possivelmente era um recanto usado pelos adultos da vila ou mesmo pelos professores quando desejavam uma privacidade maior que aquela que encontrariam no Três Vassouras ou no Cabeça de Javali, sem também a ambientação exageradamente cor-de-rosa do Madame Pudfoot.

O lugar era um pouco mais escuro, as mesinhas redondas iluminadas por velas, cujos castiçais eram taças antigas e cristalinas.

Jarno aplicou um delicado beijo na orelha de Meridiana assim que ela se ajeitou na cadeira; sorriu ao senti-la estremecer. Ele tinha consciência de que aquilo não era uma demonstração de prazer, mas também sabia que seria capaz de reverter tal situação a seu favor com o passar do tempo.

Uma pequena prova disso fora a mudança de vestimenta da noiva. Se antes ela lhe aparecera apenas com o uniforme da escola ou com roupas largas e displicentes, para este passeio em Hogsmeade Meridiana tomara outros ares. Em nada sua aparência demonstrava tentativa de parecer-lhe atraente, mas Jarno conseguiu saborear assim mesmo o que via: sob o comprido casaco vermelho entreaberto, um suéter amarelo justo valorizava o busto da jovem, e a calça comprida, as pernas esguias. Deliciosa, ele pensou, sorrindo, quando lhe beijou a mão, e permaneceu sorrindo de pura satisfação ao desfilar com Meridiana pelas ruas de Hogsmeade, colhendo como troféus os olhares de inveja e os suspiros que os rapazes e as moças lhe atiravam ao vê-lo passar com a noiva pelo braço.

Escolhera para aquele encontro com Meridiana o bistrô retirado onde costumava se encontrar com Madeleine Sinn enquanto ela ainda freqüentava Hogwarts. Sua localização retirada e discreta permitia-lhes conversar o que e como desejassem com privacidade, sem se misturar às crianças, como sua Carissima gostava de dizer. Entretanto, apesar desse déjà-vu causado pelos olhos verdes e pelos cabelos ruivos de Meridiana, ela não era como Maddie, não estava ali com ele por cumplicidade, mas sim por dever; porém Jarno estava certo de que, com mais um pouco de tempo e aplicação, ele transformaria a força de resistência de Meridiana em força de atração.

Mesmo porque, além dos motivos óbvios, surgira uma circunstância inesperada que deixaria tudo ainda mais interessante e divertido para Camposanto: um jovem ciumento, que ele divisara sentado, emburrado, no fundo do bistrô, e que pouco parecia se importar em estar sendo visto ou não pelo italiano. Ora, como bem dizia sua Maddie, o ciúme confere ao prato um sabor deliciosamente picante, e Jarno tencionava deixá-lo cada vez mais temperado.

Ocupando a cadeira frente a Meridiana, Camposanto prendeu-lhe a mão entre as suas e a acariciou gentilmente.

- Ti piace questo bistrô, bella mia? – perguntou, gentil – Eles servem un’excelente vino qui.

-É um lugar bastante agradável – ela admitiu.

Depois do que acontecera à beira do lago, ela decidiu tentar uma nova estratégia com Jarno. Continuaria disposta a não ceder às investidas dele, contudo, iria fazer aquilo de um modo mais diplomático. Qualquer manifestação mais exaltada de repúdio poderia tornar a situação irremediavelmente complicada.

Não era Jarno quem lhe preocupava, mas Lucien. Não queria que ele tomasse qualquer atitude impensada e acabasse se ferindo. Ela sabia que ele estava no lugar, ele dissera com todas as letras que não a deixaria sozinha com o conde durante o passeio, e, sabendo que não havia como impedi-lo, se resignou a tentar manter a situação sobre controle para que nada mais trágico acontecesse.

Além disso, o noivado com o conde parecia estar funcionando no que dizia respeito a Ludovic. O tio lhe enviara uma carta mencionando o quanto estava satisfeito com os relatos que recebera tanto de Jarno quanto de Amycus Carrow sobre o comportamento adequado da sobrinha.

-Contudo – ela completou – não sou muito afeita a bebidas alcoólicas.

- Il vino, Contessa, non é soltanto una bebida alcoólica – comentou Jarno, sonhador – É poesia líquida. Ed’io faço questão che desfrute de pelo menos una tazza con me.

Meridiana olhou para Jarno, indecisa. Por um lado, preferia se manter completamente sóbria diante do italiano. Não estava acostumada a beber, tampouco apreciava algo mais forte que uma cerveja amanteigada. O álcool não fazia bem a ela, a deixava mais lerda, menos atenta, mais frágil. Algo que não parecia ser sábio, considerando a companhia dela.

Por outro lado, negar-se talvez não fosse sensato em sua nova atitude diplomática.

-Não sei se seria uma boa idéia. Bebidas realmente não me fazem bem – ela tentou recusar, educadamente.

- Non se preocupe, amore mio, sei con me, niente de mal puó acontecer - o conde murmurou, com um sorriso quente. Deslizou a mão pelo rosto da noiva, olhando discretamente para a mesa onde estava Lucien. Percebeu, divertido, que ao rapaz não escapava sequer um movimento seu. Voltou os olhos para Meridiana e prosseguiu: Per favore, soltanto un piccolo gole, eh? – insistiu, lançando à moça um olhar tentador.

A moça de cachos carmim suspirou, resignada, percebendo que não havia modo de se esquivar da proposta de Camposanto.

-Tudo bem, conde. Apenas uma taça.

- Grazie, Contessa – ele disse, sorrindo francamente, olhos brilhantes de satisfação. Chamou o garçom com um gesto elegante e pediu-lhe a carta de vinhos; avaliou as possibilidades, a idéia que fazia do gosto de sua noiva e pediu o melhor Merlot da casa, no que foi pronta e respeitosamente atendido. Jarno conferiu o rótulo da garrafa, provou o vinho e viu que era de fato excelente; dispensou, então, o garçom, tomando para si a tarefa de servir sua Contessa.

A noi, ao nostro amore, à notte – sussurrou ele, erguendo sua taça e fitando Meridiana com ardor.




Sexta-feira, Fevereiro 26, 2010



Broken Vow - Parte 2



Quando se é jovem, tem-se o mundo aos pés. Tudo é possível, todos os caminhos estão abertos; temos todas as escolhas por fazer. Com o tempo, contudo, alguns caminhos acabam se fechando para nós; alguns, em definitivo.

Ele também já fora jovem um dia. Apenas um adolescente, cheio de ilusões e empáfia – caçula de uma família tradicional, preferido de sua mãe, o batedor popular na escola, queridinho de professores e garotas...

Tudo parecia distante agora. Distante demais para que ele se conectasse com aquelas lembranças. Sempre tentara se pautar pelo certo, pelo verdadeiro... por aquilo que sua consciência e seu coração lhe diziam – a lição mais importante que sua mãe lhe deixara. E do que servira?

Fora renegado pelo próprio pai. Não pudera assistir sequer ao enterro da própria mãe. Perdera, um a um, seus irmãos, as pessoas que lhe eram mais caras em sua família. Megara... E também Susannah mais recentemente. Ele já procurara a sobrinha incessantemente, mas não havia quaisquer notícias da jovem Deveraux... o que, em tempos como aqueles, significava apenas uma coisa.

Godfrey tomou mais um gole de seu copo, sem se importar com o gosto pungente de sua bebida, deixando que ela descesse como fogo por sua garganta. Não queria ter de pensar nisso agora. Ele gostaria de não poder pensar, apenas fazer sua parte, dia após dia, mecanicamente.

O encontro que aquela noite trouxera, contudo, ele não poderia ignorar. Especialmente quando ele o fazia lembrar de uma promessa, há muito feita e não cumprida.

Rose Greenhow. Ele jurara que estava tendo alguma espécie de alucinação quando a enxergou sentada junto ao balcão do Hades’ Pub, as luzes que irrompiam de vez em vez na penumbra do clube lançando sobras em seu rosto elegante.

Ela parecia completamente deslocada naquele lugar, com suas vestes simples e negras, o rosto sem qualquer maquiagem, os cabelos soltos e lisos indo até o comprimento dos ombros.

Talvez mais surpreendente fosse o fato de que ela o reconhecera, apesar de sua aparência completamente diferente. Ela o esperava, é claro. Sabia sobre ele. Mas como?

Era óbvio que Rose tivera acesso a informações privilegiadas dentro da Resistência – sua identidade era um segredo extremamente bem guardado. Fora essa a única condição que ele impusera ao começar a trabalhar com August.

Isso significava que, ou o Ministério estava mais perto do que poderiam imaginar e, por isso, ela fora alertá-lo... ou Rose continuava, a despeito do que ele sabia, na Resistência.

Levando o corpo aos lábios mais uma vez, o homem se surpreendeu ao perceber que a bebida acabara. Devagar, ele se levantou, procurando o que mais poderia consumir aquela noite, na vã tentativa de tornar-se insensível para o resto do mundo.

Ele sabia, contudo, que, mesmo que conseguisse ficar bêbado – estava, afinal, acostumado a coisas muito mais pesadas que aquele vinho barato armazenado no depósito que, presentemente, era sua “casa” –, sua mente não conseguiria se desprender da situação que tinha em mãos. Não haveria qualquer espécie de alívio, nem mesmo temporário. Pelo contrário; no dia seguinte ele certamente acordaria com uma dor de cabeça colossal.

Godfrey desistiu de continuar a beber e deixou-se cair deitado sobre a cama de campanha em que estava dormindo na última semana.

Rose e ele tinham trabalhado juntos na Primeira Guerra, sob as ordens do pai dela. Os dois eram namorados então – estavam juntos há um longo tempo, desde que eram estudantes em Hogwarts.

Ele estava pronto a pedi-la em casamento.

Conversara com Nicholson Greenhow na noite do ataque. Rose já tinha se retirado, cansada, depois de um dia inteiro de trabalho. Era a oportunidade perfeita para Godfrey. Assim, ele pedira a Nicholson permissão para apresentar seu pedido a Rose. E fizera a promessa... a promessa de que a manteria sempre consigo, de que a faria feliz.

Naquela noite, após receber as bênçãos de Nicholson, ele saiu para comemorar com os amigos. Faria a proposta no dia seguinte... A manhã não podia chegar rápida o suficiente para sua ansiedade.

Se ele soubesse que notícias o esperavam então, talvez tivesse esperado aquele amanhecer com horror.

Nicholson fora morto. Rose fora não apenas torturada, como também assistira à morte do pai. Numa única noite, ela perdera todo o mundo que conhecia. Tudo o que amava. Mas isso não fora o suficiente.

Não... O pior fora assistir ao julgamento. Fora ver Avery ser absolvido de seus crimes, jurando que agira o tempo inteiro sob o Imperius. Fora ver Rose, ao seu lado, tremer e se levantar, uma única voz, solitária no salão, gritando que era mentira.

Ele tentara ficar ao lado dela. Tentara desesperadamente trazer de volta a Rose que conhecia, a Rose por quem se apaixonara. Mas, dia após dia, ela se afundava mais em sua depressão, recusando-se a conversar com ele ou mesmo vê-lo.

Por fim, ela desapareceu. Como todos os dias, ele tinha ido procurá-la. Chovia torrencialmente em Londres. Por horas, ele ficou parado diante da porta dela, chamando a batendo, sem que houvesse qualquer resposta, até descobrir pela vizinha que Rose partira aquela manhã.

Ela não dissera para onde ia... nem deixara qualquer bilhete de despedida ou mesmo endereço.

Godfrey viajara no mesmo dia para as Hébridas.

Alguns anos depois, através de amigos em comum, soubera que ela estava trabalhando no Ministério. Uma obliviadora. Ele se lembrava de ter dado um meio sorriso ao perceber a ironia.

Apesar de saber onde ela se encontrava, e do alívio que o fato lhe trouxera, Godfrey não voltara a procurá-la. Não sabia que recepção poderia ter... e não sabia quem seria a pessoa que o receberia na aparência de Rose Greenhow.

Ele fechou os olhos, desejando dormir, desejando esquecer. Talvez devesse pedir ajuda a ela ao final das contas. Rose poderia fazê-lo esquecer.

Sorriu de sua própria piada, levando uma mão à testa, afastando os cabelos da fronte ligeiramente suada. Perdera-se em suas lembranças e deixara de lado o mais importante... aquilo que Rose viera avisá-lo.

Não podia se dar ao luxo de esquecer, ou mesmo de perder as forças. Afinal de contas, Godfrey McKinnon era um homem marcado.



Quarta-feira, Fevereiro 24, 2010



Broken Vow - Parte 1



- Você continua um tolo, Godfrey McKinnon. - a voz feminina observou às suas costas, com uma pontada de divertimento.

- E você continua bastante impulsiva, Rose Greenhow. - ele respondeu, voltando-se devagar para encará-la ao sentir que ela abaixava a varinha.

Os dois se encararam longamente. Quantos anos se tinham passado desde seu último encontro, no enterro de Nicholson Greenhow? Dezoito, dezenove anos aproximadamente. E ali estavam os dois novamente, de frente um para o outro, como se medissem força.

Godfrey observou a mulher com atenção. Os cabelos, que antes tinham sido longos e cheios, agora estavam cortados rente ao ombro, emoldurando o rosto elegante pelo qual ele se apaixonara quando jovem. Os olhos, que ele se acostumara a ver travessos e cheios de vida, estavam agora mais escuros, profundos, revelando mais do que Rose gostaria que revelassem.

- Eu fiquei bastante surpreso ao vê-la no balcão hoje. Eu não sabia que você estava com problemas com o Ministério.

- Todos têm problemas com o Ministério hoje. - ela respondeu simplesmente - A não ser que você seja um comensal.

O homem assentiu e avançou um passo na direção dela.

- Você está bem?

- Estou, Godfrey. - ela respondeu - Você é que não parece bem. Isso poderia ser uma armadilha. O que garante a você que eu não seja uma comensal disfarçada? - ela balançou a cabeça, como se derrotada - Você continua tão crédulo quanto era antigamente.

- Eu conheço você, Rose. - ele respondeu, num tom tristonho.

- A pessoa que eu sou hoje não é a mesma com quem você conviveu anos atrás, McKinnon. – Rose retrucou num tom frio, distante – Eu vim para lhe dar um aviso... o que quer que vocês da Resistência estejam pensando erigindo um ponto de encontro fixo, estão fazendo uma grande besteira... oferecendo carne aos cães. E eles virão, sedentos de sangue, muito mais rápido do que você imagina.

- Rose... – ele tentou se aproximar mais uma vez.

- Foi fácil demais para mim encontrá-lo, Godfrey. – ela o interrompeu – Também será assim para os outros.

- Se você veio até aqui apenas para me avisar isso, não pode ter mudado tanto. – ele observou – E eu conheço os riscos. Eu os assumi conscientemente. Mas era necessário.

Ela o observou, impaciente.

- Se o pegarem...

- Se me pegarem, eu nada tenho a perder. – ele sorriu sem humor – Eles pegarão apenas um cadáver.

A morena mordeu os lábios com força, controlando-se para não perder completamente a paciência.

- Você está pronto a dar sua vida por isso? – ela perguntou, apontando para o beco sujo atrás do pub.

- Você também, uma vez, acreditou no que estamos fazendo. – Godfrey respondeu – Você também foi uma resistente.

- Eu também já fui tola e idealista como você. – Rose deu as costas ao homem – Eu já fiz o que tinha de fazer. Adeus, Godfrey McKinnon.

AVISO URGENTE AOS LEITORES Pois é, de vez em quando tudo acontece ao mesmo tempo agora. O Blogger vai acabar com o serviço de publicação via FTP (para sites) e o Haloscan saiu do ar. Ou seja, estamos sem comments e depois do dia 26/03 sem Blogger. É uma corrida contra o tempo para podermos arrumar outro lugar para postar. Talvez outras mudanças e novidades ocorram... Cruzem os dedos. Se der algum problema mais sério, avisaremos no Twitter



Quinta-feira, Fevereiro 18, 2010



Desenhos da Dani: Lucy e Kyle



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Comentário da Dani: Consegui terminar o (segundo) desenho do Kyle. Acho que até foi bom minha gata ter rasgado o primeiro, pois no segundo decidi encaixar a Lucy. Os retratei antes do Kyle entrar em Hoggy, ambos os personagens saíram muito facilmente, embora o Kyle tenha sido um pouquinho mais difícil, pois ainda não se sabe muito sobre ele. O desafio maior foi desenhar a vila grega no fundo, já que nunca tinha desenhado nada relacionado à Grécia, com exceção, talvez, de alguns deuses e lendas, mas nada relacionado às cidades.

AVISO AOS LEITORES NOVATOS Pelos comentários, vi que tem gente nova (ou mais ou menos nova) aparecendo para ler nossas fics. Para facilitar a vida de vcs, nos arquivos têm resumos das nossas histórias.



Quarta-feira, Fevereiro 10, 2010



As Manhãs Seguintes


Darien acordou mais cedo do que o habitual, o que era novíssimo para todos do dormitório, pois o menino era, sempre, o último a levantar da cama. Estranhamente o dia brilhava comum: pássaros voando ao longe e isolados, algumas folhas de árvores eram levantadas do chão pelo vento; o Inverno ainda não começara, mas já fazia muito frio.

Olhando-se no vidro da janela, o corvinal observou o quanto crescera. Não tinha mais aquele ar ingênuo de menino bobo o qual tinha medo de tudo e todos.

- Darien!? Já de pé!... Não dormiu, então!!! – Exclamara Bruce ao ver o amigo, ainda com as vestes de dormir, sentado na bancada da janela.

- Oi, Bruce... Dormi sim, eu simplesmente me senti mais descansado hoje, e um pouco pensativo sobre as coisas que acontecem aqui na escola... E ontem eu pude comprovar que nem todos estão tão parados quanto podemos imaginar.

- Você fala da briga que teve com a Professora Minerva? – Interveio o menino de cabelos castanhos claros.

- Pois é, fui um tolo ao achar que a professora não teria tomado um lado nesta guerra, ela na verdade está preparando terreno para o momento certo. Eu pude sentir isso... Mas... como você sabe da minha discussão com a Minerva? Você não está na minha turma de Transfiguração....

- Darien, embora Hogwarts pareça com a nossa casa, aqui ainda é uma escola, e as coisas são comentadas, todas elas... Ao menos, quase todas. – Bruce dissera tentando desviar o olhar.

- Como assim quase todas? Há alguma coisa que as pessoas consigam esconder aqui, mesmo com os dois irmãos carrascos por todos os lados? – Darien preocupou-se, perguntando com um sorriso no canto da boca.

- Melhor você esquecer o que eu disse... – Disfarçou Bruce, ruborizado.

Com a desconversa do amigo, Darien respirou aliviado. Por um súbito momento, a ideia de que seus segredos não fossem mais tão segredos assim.

- Eu acho melhor vocês dois descerem logo ! Os dois paspalhos farão um comunicado a respeito de todas as detenções. – Chris voltou ao quarto, pegando alguns pertences que esquecera.

- Ninguém merece isso! Antigamente só o diretor falava antes do café-da-manhã, exceto na época em que aquela louca da Umbridge esteve aqui, onde ela se autoproclamara algo tão importante, quem eu nem me lembro o quê agora. – Bruce finalizara.

Assim, os dois rapazes que ainda estavam vestidos para dormir, apressaram-se logo em descer ao salão principal. Darien não gostaria de passar mais dias em detenção, ainda mais com um dos Carrow, e Bruce, bem, Bruce não podia ficar em detenção com nenhum dos professores da nova era, ele era louco o suficiente para se por ao risco de algo muito pior.

- Está bem, está bem... – Darien disse ao colocar os chinelos de dormir para pegar as vestes no armário. – Vamos logo assistir a esse circo todo.

Quando terminaram de se arrumar, os meninos, juntamente com Chris que preferiu descer com os amigos de quarto, seguiram ao grande Salão; sentaram-se no primeiro canto vazio da mesa da Corvinal que eles viram estar disponível, não queriam chamar a atenção e realmente conseguiram ser bastante discretos.

Nesse momento, as corujas vinham em direção para a entrega de algumas notícias, ou de presentes para outros da escola, ou ainda apenas traziam os jornais. Darien reconheceu Serena de longe, inclusive o envelope que a coruja trazia: vinha de Becky, mãe do menino de cabelo azul.

Darien preferiu, pegar o envelope e analisá-lo bem, olhos pelos lados, percebeu o destinatário, Darien Semog, Hogwarts, Ravenclaw; e estranhamente lia o remetente: Becky Faunus Miörhov, Oxford. A mãe estaria na Inglaterra, o que Darien pensou nunca mais acontecer. Darien preferiu ler a carta antes mesmo de terminar o seu café.

Darien, meu querido!
Lars e eu estamos em Oxford, uma prima dele se mudou para cá meses atrás e nos convidou para um final de semana, que virarão três semanas mais as festas de Natal.
Espero que as coisas estejam boas com você. Aqui, por hora, estão. Vou bem, e o seu irmão já está mexendo, é um menino sim. Lars me pediu para colocar o nome na criança, Mikhail, era o nome do bisavô dele.
Concordei desde que ele também pudesse estudar em Hogwarts, mas para isso ainda teremos de esperar um pouco mais; ainda mais com toda essa confusão que temos no Reino Unido. Achei muito estranho ter toda a bagagem revirada e várias horas do motivo de ter me mudado e várias outras coisas mais. Até sobre o seu desempenho na escola me perguntaram!
Acho que por hora é o necessário, espero que tudo esteja bem. Ah sim, Lars manda um abraço. Se quiser vier se juntar a nós para o Natal, será mais do que bem vindo.
Beijos,
Mamãe.


Darien se sentiu feliz ao saber do irmão que logo estaria ao seu lado. E até cogitou a possibilidade de ir visitar a mãe para as festas de fim de ano, mas algo o dizia quer ele talvez fosse necessário em Hogwarts.

Aquela terça-feira prometia, e Darien jamais poderia prever o seu próprio futuro, ainda que essa ação fosse a única que jamais o fizera perder o sono e os sonhos numa noite fria de Outono.




Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010



Desenhos da Dani: Sat e Pombos




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Comentário da Dani: O Sat, que é um dos meus personagens favoritos, foi bem fácil de fazer, não tive problemas nem com o cabelo (que é onde eu normalmente encrenco), agora, o por que de tê-lo colocado numa cozinha? Simples. Eu precisava desenhar berinjelas em algum lugar!!^^

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Comentário da Dani: O desenho dos Pombos está bem simples, considerando os fundos que costumo fazer, mas achei que ficaria melhor assim, mais delicado e mais focado nos dois. O cabelo da Lore deu bastante trabalho, mas, ironicamente, é o tipo que eu mais gosto de desenhar.



Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010



Empatia Parte Final


Adhara fitou o próprio colo por alguns instantes, incerta sobre como começar.

- Na verdade, eu sinto que ainda não lhe agradeci apropriadamente por ter me ajudado com o Theodore. Eu passei todo esse tempo repreendendo você, mas nunca realmente fiz nada para agradecer.

Kyle piscou, se sentindo perdido. Aquela história estava meio estranha. Claro, Adhara havia lhe dado um sermão dos grandes (e Meri também), mas ele não esperava nada de diferente, já havia percebido que sua prima sonserina era do tipo que mais dava puxões de orelha do que passava a mão na cabeça, e não se importava com isso. Ele não havia feito o que fez esperando receber reconhecimento e tapinhas nas costas, na verdade ver Theodore com aquela cara quebrada já havia sido prêmio o suficiente, e no fim das contas, Dhara havia entendido os motivos dele e ele não podia desejar nada além disso. Por isso um piquenique de agradecimento, naquele momento, era algo que o havia pegado tão desprevenido.

- Hum, nossa, valeu Dhara, mas não precisava se incomodar, de verdade. – ele coçou a cabeça, meio constrangido – Já faz quase um mês, eu já estou quase terminando de cumprir a detenção e tudo. – acrescentou, numa tentativa de fazer piada.

Adhara meneou a cabeça, séria.

- Não, Kyle. De verdade, era o mínimo que eu poderia fazer.

O lufano sentiu vontade que um buraquinho abrisse no chão e o tragasse para dentro naquele momento, tamanho era o seu desconforto por ter a prima lhe encarando daquele jeito tão solene, como se fosse para ela uma questão de honra agradecê-lo agora. Na verdade, ele estava começando a ficar sem graça com a atenção.

Poxa, não era como se ele fosse um grande herói nem nada, ele só havia quebrado o nariz de um mauricinho pomposo. Ele quase abriu a boca para dizer aquilo a Adhara, mas ficou com um pouco de medo do que ela poderia responder. A prima não estava parecendo muito com ela mesma com aquele súbito ataque de gratidão, o que levou o garoto a uma crescente onda de desconfiança.

- Dhara... Não me leve a mal, a comida está ótima e você sabe que eu realmente aprecio esses momentos de primo pra prima que temos juntos, mas pra que tudo isso agora? Tem certeza que é só isso que estava te incomodando mesmo?

A sonserina percebeu, com uma dose de surpresa, que ela realmente não conseguia despistar Kyle. Ele era assombrosamente observador e tinha ótimos instintos para um garoto de pavio tão curto.

Talvez ela estivesse agindo erroneamente ao ficar dando voltas no assunto, com medo de ser muito indelicada ao tocar em um ponto desconfortável demais para Kyle. Ela já deveria ter percebido que o garoto preferiria falar francamente sobre qualquer coisa, por mais espinhosa que fosse – como ela própria e Meridiana sempre preferiram. Aquele devia ser um traço de família.

- Você tem razão, não é só isso. Bem, agradecer a você é parte do motivo sim, mas há uma razão em específico para eu ter resolvido fazer isso agora. – ela fez uma pausa – Kyle, eu escrevi para a Frida e para o meu pai, contando tudo o que aconteceu entre eu, você, Theodore e Meridiana, e minha madrasta me respondeu esta manhã. Frida acabou me dando uma perspectiva que eu ainda não havia considerado antes... Ela me disse que entendia porque você havia tomado medidas tão extremas com Theodore, pois o que ele tentou fazer comigo era semelhante ao que Ludovic fez com a sua mãe.

O lufano permaneceu em silêncio, sem conseguir esboçar nenhuma reação clara.Aquele era um assunto espinhoso, com o qual provavelmente nunca se sentiria completamente confortável.

- Você não precisa falar disso se não quiser. – a morena acrescentou, diante do silêncio do primo.

O lufano negou com a cabeça, parecendo ter se recomposto.

- Não, Dhara. Está tudo bem. Não vou mentir e dizer que não me incomoda ser filho de um monstro, mas, minha mãe, a Meri e agora você me fizeram entender que o importante é a pessoa que eu sou e as pessoas que eu amo e me amam.

A garota sorriu um pouco.

- Bem, eu só queria que você soubesse que eu entendo plenamente agora, e que sinto muito se peguei pesado demais com você.

Kyle riu um pouco, desanuviando ainda mais o ambiente.

- Tá brincando? Você não seria a prima que eu conheci e aprendi a gostar se não pegasse pesado.

Adhara lutou para segurar o riso.

- Ok então, eu garanto que sempre estarei aqui para chamar a sua atenção. Eu só espero não precisar fazer isso com muita freqüência.

-Eu não vou prometer nada – ele respondeu, dando um sorriso meio maroto para prima pouco antes de morder um brownie de chocolate.

Apesar de todos os pesares, havia uma parte, cada vez maior, de Kyle que estava satisfeita com a grande reviravolta da sua vida. Sentia-se grato pelo esforço de Adhara com aquele piquenique, mas, principalmente, sentia-se grato por tê-la como prima. Por ela e por quase todos os demais de sua nova família.



Terça-feira, Janeiro 26, 2010



Empatia Parte 2


Kyle estava rodeado de dezenas de livros, a cabeça já estava quente de fazer e refazer os exercícios de Aritmância. Aquela matéria era horrivelmente torturante, parecia pior que as funções matemáticas que ele se lembrava de ter estudado em sua antiga escola trouxa.

Contudo, por ter sido matriculado às pressas, ele não pôde escolher as disciplinas, caso contrário, não estaria imerso naquele inferno numérico.

O lufano bufou, conseguindo terminar o último exercício da lista, se preparando para encarar os exercícios de Poções, que, para ele, eram muito mais fascinantes e lembravam muito mais o que aprendera em sua terra Natal. Embora alguns colegas achassem estranho um lufano gostar tanto daquela disciplina – e ele não entendia exatamente as razões – aquele monte de misturas e possibilidades lhe agradavam.

Na realidade, apesar da rotina rígida, o grego admitia que, a exceção de Aritmância, ele gostava de tudo o que estava aprendendo ali.

Nos próximos minutos, Kyle se concentrou com entusiasmo nas tarefas, até que um dos colegas de casa aproximou-se. A princípio o rapaz achou que seria para perguntar alguma coisa sobre as tarefas da semana, entretanto, depois de cumprimentá-lo, o outro garoto entregou-lhe um bilhete.

- A namorada do Von Weizzelberg está te procurando.

Kyle franziu a testa, se perguntando porque Meri iria chamá-lo para conversar a luz do dia. Ela não era tão descuidada. Foi então que ele se lembrou do boato que haviam espalhado, de que sua outra prima estava namorando Lucien, e até da pequena “cena” que os dois tinham feito no salão principal na semana passada e que fora o fuxico do momento na escola, de forma a criarem um álibi plausível para os constantes encontros dos dois para trabalharem nos desenhos da tirinha do Mensageiro.

Ele abriu o papel reconhecendo a letra pequena e delicada de Adhara pedindo para que ele a encontrasse do lado de fora da biblioteca. Kyle juntou o material apressadamente, saindo porta afora, quase correndo. O que não passou despercebido por Madame Pince que lançou um olhar reprovador para o rapaz.

- Algum problema? – ele perguntou, assim que avistou a prima sonserina.

A morena deu um meio sorriso ao perceber o cabelo bagunçado de Kyle e o jeito esbaforido, como se tivesse corrido até ali – o que, conhecendo o primo, provavelmente havia acontecido.

- É, um dos grandes. – ela começou, em um tom grave – Eu perdi o café da manhã e como não estou a fim de comer sozinha, passei na cozinha para pegar algumas guloseimas. – para provar seu ponto a moça então levantou uma cesta que os elfos haviam preparado para ela – E aí, o que me diz de um piquenique nos jardins?

O rapaz deu um meio sorriso. Era domingo, ele estava em dia com a maioria dos exercícios e fazia um bom tempo que ele não fazia um piquenique ou tinha um encontro mais descontraído com Adhara.

- Tudo bem – ele respondeu, aumentando o sorriso.

Os primos caminharam lado a lado até o jardim, conversando sobre amenidades durante o caminho. Na verdade, Adhara mais ouvia Kyle reclamar do dever de Aritmância do que falava, sua mente vagando de volta para a carta de Frida. Ela se censurava internamente por não ter feito aquela ligação antes e, sobretudo, por não ter sido mais compreensiva com Kyle. A garota ainda se lembrava claramente do quão perturbada ela se sentira quando seu pai lhe contara toda a história de Lucy Reinfield e Ludovic, tanto que isso a levara, de imediato, a ser mais afável com Kyle do que seria com qualquer desconhecido.

Fazia bastante frio nos jardins e provavelmente não era a época mais indicada para um piquenique, mas nenhum dos jovens pareceu ligar. Procuraram um banco de pedra para sentarem-se em uma das áreas cobertas e colocaram a cesta de comida entre eles, não fazendo cerimônia para começarem a degustar das guloseimas dos elfos domésticos.

Passados alguns minutos em um confortável silêncio, Kyle perguntou:

- E aí, já está pronta para me dizer o que é que está rolando ou vai precisar de mais um brownie?

Adhara piscou e desviou o olhar de uma árvore desnuda que já estava fitando há algum tempo para o primo, que a observava com um sorriso e um ar divertido.

- Como é? – ela perguntou.

Ele meneou a cabeça, ainda sorrindo.

- Dhara, você está com essa cara pensativa desde que saímos do castelo e eu posso ser péssimo em Aritmância e tudo, mas não é preciso ser um gênio para somar dois mais dois e perceber que tem alguma coisa rondando a sua cabeça. Além do mais, essa história toda de piquenique, assim de repente... Bom, pode até fazer pouco tempo que nos conhecemos, mas acho que já sei o bastante para poder afirmar que esse tipo de espontaneidade descontraída era algo que eu poderia esperar da Meri, mas não de você. Você sempre tem algum motivo por trás de tudo o que faz. – diante da expressão ligeiramente indignada da prima, Kyle tratou logo de emendar – Quer dizer, não que isso seja ruim! Longe disso, não é ruim mesmo, é só o seu jeito de ser, e eu gosto disso em você. – ele sorriu um pouco – É meio que tranqüilizador saber que eu tenho uma prima fria e calculista para tomar conta de mim e do meu gênio enfezado.

Adhara acabou sorrindo um pouco. Quem diria, Kyle realmente era um rapazinho muito perspicaz.

Na verdade, pensando bem, ele era uma das pessoas mais perspicazes que já havia conhecido. Em questão de poucos meses ele já a conhecia tão bem. Talvez parte daquela familiaridade tão singular se devesse ao fato de que eram primos... Ela lembrava-se que Trowa também conseguia praticamente ler seus pensamentos às vezes.

Ela sentiu uma pequena fisgada no peito ao se lembrar do jovem Barton, assim tão de repente. Pensar no nome de Trowa ainda tinha aquele tipo de efeito sobre ela, fazendo com que uma ferida já fechada, mas não completamente cicatrizada, doesse um pouco.

Mas Adhara tratou de espantar aqueles pensamentos para longe. Uma coisa de cada vez. Nesse momento, era Kyle quem era importava.

- Eu não vou dizer que você está errado, Kyle. – ela admitiu – Realmente eu tinha um motivo a mais para ter te chamado para esse piquenique improvisado.

O grego sorriu, satisfeito consigo mesmo por ter acertado. Ele cruzou os braços atrás da cabeça, descontraído.

- Bom, então, pode mandar bala.



Terça-feira, Janeiro 19, 2010



Empatia Parte 1


Era domingo e o dia amanhecera frio e nebuloso apesar de ainda estarem na metade de outubro. O clima estava esfriando rápido, e provavelmente haveria neve mais cedo naquele ano.

Adhara estava embolada entre as cobertas, com as cortinas de sua cama de dossel fechadas seguramente ao seu redor. Já deveria ser bem tarde, possivelmente mais de dez manhã, visto que de seu esconderijo na cama a morena tinha ouvido todas as suas colegas de quarto levantarem, se arrumarem e saírem para tomar o café-da-manhã. Ela sabia que provavelmente deveria levantar também, embora provavelmente já tivesse perdido o desjejum. Talvez pudesse ir até a cozinha e pegar algumas bolachas antes do almoço.

Com esse pensamento, a sonserina sentou-se no colchão, afastou os cobertores e abriu o cortinado da cama. A primeira coisa que seus olhos repararam no quarto vazio de outras ocupantes foi um envelope e um bilhete bem em cima de sua mesinha de cabeceira, ambos endereçados a ela.

A moça franziu a sobrancelha e apanhou o bilhete primeiro, observando a caligrafia que não conhecia. Ela abriu o pergaminho que estava dobrado em quatro partes e se pôs a lê-lo:

“Adhara,

Sua coruja estava procurando feito louca por você no Salão Principal nesta manhã, então eu me lembrei que você não tinha vindo para o café e tomei a liberdade de pegar a sua carta. Você ainda estava dormindo quando eu passei aqui e a deixei na sua cabeceira, espero que uma das nossas ‘simpáticas’ colegas de quarto não a encontre antes de você acordar.

Ass. Raven.”


Ela abandonou o bilhete de Raven ao seu lado na cama e apanhou o envelope mais do que depressa, girando-o de todos os ângulos e constatando que não havia sinais de adulteração no lacre. O remetente era de Londres, de sua casa, e estava no nome de Frida Ivory.

A morena tomou um momento para pensar que aquela era a primeira vez que ela via o nome da madrasta escrito em conjunto com o seu sobrenome. Era engraçado pensar que a menos de um ano atrás a polonesa havia se apresentado a ela como Frida Black-Thorne, e hoje ela estava casada com o seu pai e esperando o seu irmão ou irmã. Mas Adhara descartou estes pensamentos e abriu o envelope, tirando de lá as duas folhas de pergaminho que Frida tinha lhe enviado.

Ela havia escrito uma carta para casa logo após a briga de Kyle com Nott, informando também que seu primo caçula cumpriria detenção com a Profª. Sprout por causa disso. Depois, quando Theodore abordara Meridiana pedindo aquele ridículo ‘favor’, a morena escrevera mais uma vez, contando da farsa que armaram para simular um ataque à Kyle e que tudo dera certo.

Devido ao perigo das cartas serem interceptadas pela diretoria da escola, a sonserina havia tomado algumas precauções. Para começar, transfigurara as cartas verdadeiras em outros objetos (um suéter de Frida que ela fingia ter trazido por engano na bagagem e um livro do qual ela precisava em uma edição mais recente), os quais enviara junto com pequenas correspondências nas quais ela relatara situações banais que estariam acontecendo com ela na escola – as aulas, os estudos para os N.I.E.M.s, a sua “briga” com Meri, o “namoro” com Lucien, enfim, tudo o que parecesse seguro e inofensivo. Ela ainda não havia recebido uma resposta para nenhuma das cartas . Até agora.

“Querida Adhara,

Lamento pela demora na resposta, niña, mas seu pai e eu estivemos muito ocupados nas últimas semanas com os nossos respectivos trabalhos. Está tudo bem com minha gravidez, todos os exames indicam que seu futuro irmão ou irmã é um bebê saudável.

A respeito de suas últimas cartas, fico feliz em saber que a situação se resolveu. Creio que vocês lidaram com o problema da melhor maneira que puderam – e seu pai pensa o mesmo.

Agora a respeito de Kyle e do acontecido, eu pude perceber pelo tom de sua carta que você parecia um tanto irritada com a impulsividade dele e entendo o seu lado, Dhara. Entendo que tema que a personalidade de Kyle ainda possa trazer problemas a ele, mas tente pensar pelo lado dele por um instante.

A situação que originou todo o desentendimento provavelmente deve ter sido algo muito estressante para Kyle, especialmente considerando tudo o que aconteceu entre os pais dele. Eu creio que ele deve concluído que as duas situações eram parecidas.

Encerrado este assunto, seu pai está tentando conseguir uma folga no Ministério para que possamos ir visitá-la no seu aniversário. Nós a avisaremos de antemão caso a visita seja possível ou não.

Seu pai manda lembranças. Cuide-se bem e mande abraços a Lucien, Kyle e aos demais.

Com carinho,
Frida.”


Adhara ainda passou um minuto inteiro olhando fixamente para a carta depois de ter terminado de lê-la. Uma passagem em especial se destacava na mente da sonserina: “especialmente considerando tudo o que aconteceu entre os pais dele”.

Tudo o que aconteceu entre os pais dele... Ludovic Black-Thorne e Lucy Reinfield. Kamus havia lhe contado aquela história durante as férias, Ludovic havia mantido Lucy prisioneira sob a maldição Imperius, havia abusado dela e como resultado desse abuso Kyle havia sido concebido...

A sonserina arregalou os olhos e levou uma mão à boca para cobrir a sua exclamação. A insinuação de Frida havia feito com que ela percebesse algo que deixara passar completamente em branco em meio à preocupação com a detenção de Kyle, a tentativa de vingança de Theodore, o plano de Meridiana para protegerem o lufano e tudo mais o que acontecera depois. Ela havia negligenciado um detalhe crucial.

É claro que o fato de Theodore ter tentado lhe beijar a força faria Kyle se lembrar do que havia acontecido à mãe dele. Adhara sentiu-se imediatamente estúpida por ter se esquecido daquilo, por não ter pensado que aquela situação relembrava, ainda que muito palidamente, a história da concepção do garoto.

Adhara dobrou a carta, colocou-a de volta no envelope junto com o bilhete de Raven e guardou tudo no fundo falso que havia instalado na gaveta de sua mesinha de cabeceira. Ela então se levantou para lavar o rosto e trocar de roupa. Depois do que a carta de Frida lhe dissera, ela sentia que precisava encontrar Kyle o mais rápido possível.



Segunda-feira, Janeiro 04, 2010



Acting Out


Adhara leu uma vez mais o pedaço de pergaminho amassado. Era um bilhete curto, mas que estivera lhe pesando na cabeça desde que o recebera, no fim de tarde anterior:

“Vou estar te esperando às 08h00min, na entrada do salão principal.
LvW.”


Ela suspirou antes de guardar o papel no bolso enquanto seguia pelo corredor úmido e gélido das masmorras naquela manhã, sentindo que havia uma própria pedra de gelo em seu estômago.

Claro, ela havia mentido, atuado e dissimulado antes e em situações muito mais perigosas, mas nunca havia se sentido tão apreensiva assim. Ou talvez, nem fosse apreensão propriamente dita, e mais como um desconforto.

Sim, era isso, a sonserina decidiu, ao emergir da escuridão das masmorras para a claridade cinzenta do hall do castelo. Ela estava desconfortável com a situação em que se encontrava, e com o que teria que fazer a seguir. Mas ela não podia negar a engenhosidade do plano, e ela havia prometido à Meridiana.

Lucien estava parado, com os braços cruzados e as costas escoradas na parede, exatamente no lugar onde havia dito que estaria. Ele olhou para ela assim que notou a sua presença e desencostou-se da parede, fazendo um aceno de reconhecimento com a cabeça. Adhara correspondeu da mesma forma enquanto traçava os últimos passos para se juntar o lufano.

- Bom dia. – ele a cumprimentou.

- Bom dia.

Depois disso, os dois jovens ficaram apenas se encarando, visivelmente nenhum dos dois sabia qual era o próximo passo. Adhara percebeu que, a despeito do senso de camaradagem que havia crescido entre ela e Lucien no último mês, o austríaco parecia tão desconfortável e constrangido com a situação quanto ela própria e aquilo fez com que se sentisse razoavelmente melhor.

Ambos sabiam por que estava ali. Passada mais de uma semana desde a noite em que Meri os reunira na sala secreta para dar a sugestão de que a sonserina e o lufano fingissem estar namorando – o que acabou sendo consentido por todos os envolvidos – já estava mais do que na hora de os dois afinal fazerem alguma coisa a respeito e assumirem o “namoro” perante a escola e dar aos alunos algo novo sobre o que fofocarem, embora nenhum deles estivesse particularmente ansioso por aquela parte do plano.

Infelizmente, os jovens não tinham privacidade em seu desconforto. Como era horário do café da manhã, havia um fluxo grande de alunos passando por eles e, para o infortúnio de Adhara e Lucien, muitos pareciam extremamente interessados em observar o pretenso casal, a espera do próximo movimento deles – as gêmeas Patil, em particular, tinham abandono qualquer discrição e estavam paradas, bem ali perto, cochichando e dando risadainhas enquanto olhavam para os dois. A morena sentiu-se mortificada ao notar que a suspeita de que ela e o austríaco fossem um item não era apenas de Theodore.

O movimento das gêmeas assim como o estupor da sonserina não passaram em branco à percepção de Lucien. Ele podia perceber o quanto estava sendo estranho para a jovem Ivory dissimular uma pretensa relação amorosa com ele. Ele mesmo se sentia desconfortável, e, podia compreender que parte disso se devia ao carinho e lealdade que sentiam por Meridiana. Embora, ela própria fosse a autora do plano, havia uma parcela de Lucien e Adhara que sentiam estar “traindo” a ruivinha.

Contudo, o austriaco reconhecia que sua fraulëin tinha razão. Hogwarts se tornara um terreno perigoso e eles realmente precisavam se salvaguardar. Era hora de deixar reflexões de lado e agirem.

Foi então que Adhara percebeu que Lucien dava um passo na sua direção, chegando mais perto, e ela teve apenas um segundo para fingir naturalidade quando ele passou os braços por sua cintura e a abraçou. A garota forçou o cérebro a funcionar depressa e reagiu logo em seguida, enlaçando o pescoço do lufano e repousando a cabeça sobre o ombro dele. Internamente, ela agradecia a Merlim pelo rapaz ter tido mais presença de espírito do que ela para levar a farsa em frente.

Apesar de ter se aninhado em seus braços, o lufano percebeu uma rigidez inicial vinda da sonserina, que aos poucos foi devanescendo.

A morena tinha que admitir que abraçar Lucien não estava sendo tão estranho quanto ela pensou que seria. Na verdade, era parecido com abraçar Kyle e aquela constatação a deixou mais tranqüila e confortável com aquele teatro.

- Eu senti saudades. – ela disse, em um tom alto o suficiente para que quem estivesse mais próximo pudesse ouvir.

- Eu também. – respondeu Lucien, em igual tom.

Talvez ele não sentisse falta de Adhara enquanto namorada – não era aquele vazio avassalador que estar distante de Meri muitas vezes lhe provocava – contudo, estava sendo sincero em seus sentimentos. Começava a sentir falta da morena, que acabara se tornando uma boa amiga, alguém com quem contar e confiar.

Apesar de não sentir desconforto, ela perguntou-se quanto tempo mais teria que ficar naquela posição para que o romance deles parecesse genuíno, afinal abraços de namorados geralmente duravam mais que abraços de amigos, mas ela foi poupada de encontrar uma resposta para aquele problema logo a seguir.

- Mas o que diabos...?!

Os dois se separaram um pouco ao ouvir aquela exclamação indignada, e encontraram ninguém menos que Lucas Hunter, Raven e Satanio, parados a alguns metros dele.

O autor da questão havia sido o ruivo, que olhava de Lucien para Adhara e vice-versa com olhos esbugalhados e o queixo caído. Satanio parecia igualmente consternado com a cena do “ex da Meri” e da “prima da Meri” abraçados para a escola inteira ver, embora fosse bem mais discreto em sua reação do que o amigo lufano. Raven parecia ser a única do trio que não perdera a compostura – tanto que se encarregou de pegar os dois amigos pelo braço e arrasta-los para o salão principal.

- Vamos ruivo, andando. Sat, você também. Não tem nada para ver aqui e eu tenho fome.

- Mas Rav, ele... E ela... E eles... – protestou Luke, apontando para o casal que ainda estava semi abraçado.

- Andando. – Raven ordenou, rilhando os dentes e puxando o ruivo com um pouco mais de força até conseguir fazer com que ele a acompanhasse (o que não devia ter sido tarefa fácil, considerando o tamanho do batedor).

Adhara e Lucien trocaram um olhar e a garota percebeu, pelo brilho nos olhos bicolores do austríaco, que ele estava fazendo força para não rir da cena aprontada pelo amigo.

- Acho melhor irmos também. – ele disse.

A morena concordou e eles encerraram de vez o abraço. Os dois se entreolharam mais uma vez quando separados e, dessa vez, foi de comum acordo que estenderam as mãos ao mesmo tempo e entrelaçaram seus dedos – como ele costumava fazer com Meri e, ela, com Trowa.

Os dois entraram de mãos dadas no salão principal lotado.

Um par de olhos verdes observou o novo “casal” caminhar até a mesa da sonserina, onde o lufano despediu-se da “namorada” com um beijo na mão, da forma gentil e cavalheiresca tão típica de Lucien. Meridiana desviou o olhar ao escutar ao escutar os fuxicos das gêmeas Patil que pareciam ser intencionalmente direcionados à ela, falando em alto e bom som o quanto o novo par era interessante e nas voltas que a vida dava.

A ruiva fingiu não ouvir, não deixando transparecer qualquer reação em seu semblante, contudo, interiormente ela se sentia aliviada. Sabia que não havia razão para ciúmes, confiava na prima e no namorado. O importante era que aquela farsa os deixava mais seguros diante de todas as incertezas que os muros de pedra da escola lhes comprimia.



Sábado, Dezembro 26, 2009



Feliz Natal! Feliz 2010!



O Natal chegou... e, sendo um pouco cara de pau, vou citar a Lulu-Mina-Silverghost que melhor sintetizou a retrospectiva do ano que se passou no encerramento do Amaterasu...

Lulu: “Se eu fosse fazer um balanço de 2009, não sei se diria que ele foi um bom ano. Bem, para nossas partes escritoras, sei que não foi muito – entre os atropelos do blogger e do freewebs, do bloqueio geral de inspiração e da falta de tempo, a gente mais se desesperou e pediu desculpas que qualquer outra coisa.

Mas 2009 foi um ano muito bom para nós em termos pessoais.”


Isso é verdade, entre namoros, casamentos, vestibulares e afins, a maioria dos saldos foi positivo... embora um e outro membro da nossa equipe tenha passado por alguns apuros.

O que eu espero de 2010?

Que as coisas boas de 2009 permaneçam ou melhorem... que as coisas não tão legais se assentem e se resolvam...

Coisas que eu quero?

Bem, voltar a ter o mesmo entusiasmo para escrever...entre provas de vestibular, problemas e cansaço do trabalho, meu fogo literário diminuiu um pouco e gostaria de recupera-lo.

De resto, só tenho que agradecer por todas as coisas que eu tenho, inclusive vocês, nossos leitores.

Novamente, sendo cara de pau (quem manda a Lulu escrever tão bem? :P) vou citar a Lulu novamente

Lulu: ”Desejamos a todos vocês, leitores, que fazem a alegria da equipe Crimson Mark, um feliz Natal, com uma ceia farta, muitos parentes para fofocar e presentes por trocar. Desejo que cada um de vocês possa estar com as pessoas que ama, porque, realmente, qual a graça de se passar o Natal sozinho?

Desejo também sucesso e realizações para todos no novo ano... e na nova década que começa em breve. Que possamos continuar juntos por aqui, esperançosamente, sem mais grandes percalços pelo caminho.

E que possamos criar juntos muitas novas histórias – que possamos emocioná-los todos os dias, da mesma forma que vocês nos emocionam toda vez que nos deixam um comentário.

Que venha 2010!”


Para encerrarmos, deixamos com vocês alguns pequenos presentes. Uma coletânea de músicas das hébridas feita obviamente pela Lulu e uma montagem natalina inspirada nos desenhos da Dani

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Quinta-feira, Dezembro 24, 2009



Natal no Expresso


São mais de duas da manhã e cá estou eu tentando fechar os últimos detalhes do Natal do Expresso... e também de New Dawn... Isso porque trabalhei até 11 da noite e cheguei em casa bemmmmm mais tarde do que queria.

Amanhã vou para a casa da minha mãe e possivelmente só poderei postar sábado à noite ou domingo...

Queria escrever uma mega mensagem de natal, mas o sono não está deixando pensar em nada absolutamente genial, por isso, vou apenas desejar a todos um excelente Natal!

E, claro, agradecer por toda a alegria que a companhia de vocês nos traz, por nos acompanheirem nesse nosso caminho de mágicas e palavras...

Deixo vcs em companhia das Mafiosas por enquanto...

Esperamos que gostem da fic especial!

Feliz Natal!!!

The Gift of a Friend



Sometimes you think you'll be fine by yourself
Cause a dream is a wish you make all alone
It’s easy to feel like you don’t need help
But it’s harder to walk on your own


De cabeça baixa, ela caminhava sozinha, perdida em seu próprio mundo – como de hábito. Com o canto dos olhos a outra grifinória observou a colega, perguntando-se o que fizera para merecer aquilo.

Lorelai suspirou. Com tantas pessoas na turma, Snape tinha que colocá-la justamente com alguém que não gostava dela?

Enquanto isso, Mina tentava organizar-se mentalmente. Seria impossível fazer aquela monografia sozinha; de uma maneira ou de outra, ela teria de depender um pouco de sua parceira, ainda que não gostasse muito disso.

Antes, contudo, que pudesse se aprofundar em suas conjecturas, sentiu um ligeiro esbarrão contra o ombro. Levantando os olhos, ela se deparou com outra garota – pelo uniforme, uma lufana.

A moça sorriu de leve.

- Desculpe.

Mina balançou a cabeça.

- Não foi nada.

You'll change inside
When you realize


Ela chegou quase derrapando pela passagem, parando meio minuto para recuperar o fôlego, antes de emergir completamente no QG. Lorelai e Sam já estavam lá, acompanhadas de uma pilha de sanduíches, uma garrafa térmica com o chocolate quente que Sam prometera mais cedo, além de várias sacas de doces.

As duas estavam sentadas em seus sacos de dormir, tão concentradas no jogo de snap explosivo que sequer a perceberam entrar. Mina sorriu, largando-se em sua própria saca, chamando afinal a atenção das duas para ela.

- Desculpem o atraso. - ela disse, enquanto tirava o casaco, relaxando aos poucos - Eu estava...

- Na biblioteca. - Lore e Sam completaram ao mesmo tempo.

Mina suspirou, coçando a cabeça.

- Como vocês sabiam?

- Não é preciso ser um gênio para descobrir. - Sam respondeu.

- Qualquer um que conheça nossa generalíssima o suficiente saberia disso. - Lorelai afirmou.

A caçula das mafiosas apenas balançou a cabeça, sorrindo de leve.

- Ok... agora que estou aqui, o que temos planejado para nossa primeira e oficial noite do pijama no QG?

As outras duas se encararam entre si, sorrisos idênticos em seus rostos. Por um instante, Mina sentiu-se tentada a fugir da companhia das amigas, sabendo que aqueles olhares e sorriso só podiam significar uma coisa.

- Bem... - Lore começou - Nós vamos primeiro jantar nossos sanduíches, é claro...

- Enquanto pomos as fofocas da escola em dia... - Sam continou, os lhos brilhando quase malignamente - Falamos sobre garotos...

- Depois vamos ouvir você tocando violão, finalmente...

- E vamos cantar músicas bestas, enquanto bebemos chocolate quente e dançamos pela sala de pijamas...

- Vamos brincar no pula-pula...

- Até cansar...

- E, quando finalmente você estiver menos esperando...

- MONTINHO NA GENERALÍSSIMA! - as duas terminaram ao mesmo tempo, dissolvendo-se em risadas.

Mina revirou os olhos, embora o efeito não fosse o mesmo com sorriso que insistia em aparecer no canto da boca.

- Por que é que sempre sobra para mim?

The world comes to life
and everything's alright
From beginning to end
When you have a friend
By your side
That help's you to find
The beauty of all
When you'll open your heart and
Believe in
The gift of a friend



Ela terminou sua história sentindo-se como se tivesse corrido uma verdadeira maratona até ali. Os braços de Herman lhe propiciavam algum conforto, mas mesmo eles eram incapazes de afastar por completo todos os sentimentos que recontar o que acontecera tinham trazido à tona.

Lorelai levantou os olhos, notando pela primeira vez as reações que provocara nos amigos. Todos pareciam preocupados, conversando entre si... exceto por Samantha e Mina.

Nenhuma das duas tinha desviado o olhar dela nem por um instante desde que ela começara a falar. Sam parecia estar se segurando em seu lugar, os punhos cerrados, como se estivesse pronta para partir a cara de alguém – de qualquer um que ousasse machucar sua amiga. Mina, por sua vez, tinha o olhar triste, mas decidido e Lore não duvidava de que, naquele momento, a domadora estivesse pensando em estratégias para ajudá-la e protegê-la.

Cada uma delas tinha uma expressão diferente, mas ambas compartilhavam de um mesmo sentimento... e, subitamente, em meio à toda a dificuldade que fora reviver a cena das férias, Lorelai sentiu-se grata por saber que, não importasse o que acontecesse, ela teria as amigas ao seu lado.

Someone who knows when you’re lost and you’re scared
There through the highs and the lows
Someone you can count on, someone who cares
Besides you where ever you go



Sam sorriu, orgulhosa, enquanto observava a amiga se aproximar do pequeno altar com os olhos fixos em Herman. Ela não podia estar mais feliz pela amiga e agradecida ao mensageiro por ser capaz de iluminar o olhar de sua irmã daquela maneira.

Com tudo o que estava acontecendo, era bom ter algo para comemorar. Depois de tantos dissabores, um pequeno raio de sol nos dias nublados que eles enfrentavam.

A moça desviou ligeiramente o olhar para o lado, soltando um pequeno suspiro. Havia uma única nota dissonante naquele dia; uma única ausência, mas que faria uma diferença enorme.

Era para Mina estar ali também, a dama de honra para sua madrinha, a chuva de arroz para sua cinta-liga. Era para ela estar ali e pegar o buquê para que depois pudessem provocá-la, perguntando quando Isaac iria propor. Para beberem juntas todo o champagne da festa, subirem no palco e contarem histórias da máfia, até que Lore se derretesse de vergonha.

Era para estarem juntas nos bons momentos como tinham estado nos maus.

Sam se perguntou quando, exatamente, ela tinha começado a identificar votos de casamento com votos de amizade. Mas quem se importava se ela estava ou não fazendo sentido? As únicas pessoas com quem poderia discutir aquilo ou não estava ali ou era a noiva...

Ela sorriu mais uma vez, imaginando a cara que Mina faria quando ela dissesse que a domadora teria que compensar sua ausência no casamento da fada prensada com o próprio casamento o mais rápido possível.

Ela quase podia sentir a amiga revirando os olhos, cruzando os braços e bufando um “porque sempre sobra para mim?”. E, com isso, sentiu-se estranhamente mais leve.

Mina podia não estar ali presente fisicamente. Mas estava em seu coração. E, ela tinha certeza, estava no de Lorelai também. E, por hora, até que pudessem estar juntas de novo, aquilo bastaria.

You'll change inside
When you realize
The world comes to life
and everything's alright
From beginning to end
When you have a friend
By your side
That help's you to find
The beauty of all
When you'll open your heart and
Believe in
The gift of a friend



Ela observou os pequenos pássaros até que eles sumissem no horizonte, levando com eles suas mensagens.

A jovem suspirou, deixando-se cair sentada junto à escrivaninha do quarto de hotel. Nunca fora uma particular fã de seu aniversário, já que nunca antes tivera realmente com quem comemorar...

Mas as coisas tinham mudado no ano anterior. Ela tinha mudado. E, mais do que nunca, Mina se descobriu ansiando pela presença das amigas, por uma noite de pijama regada a risadas, bolo e cerveja amanteigada.

Ela sentia falta das outras mafiosas.

And when the hope crashes down
Shattering to the ground
You'll, you'll feel all alone
When you don’t know which way to go
And there's no such leading you on
You're not alone



Encostada à janela, ela observava a garoa que caía nos jardins da escola. Largados à frente dela, junto ao parapeito, estavam cadernos e cartas abertas; bilhetes rabiscados às pressas que a faziam lembrar de tempos em que parecia estar sempre se controlando para não cair na gargalhada, seguida imediatamente das outras duas mafiosas.

Quão diferente Lorelai se sentia agora entre as paredes de Hogwarts. Fazia realmente apenas um ano desde que ela tinha andando às escondidas pelo castelo, surrupiando comida da cozinha, encrencando com a irmã caçula, caindo de cabeça dentro de armários sem fundo?

A chuva também castigava Londres, carregando lixo pelas calçadas, dotando a paisagem de um ar desolado, enquanto Samantha caminhava apressada sob o guarda-chuva vermelho, de tempos em tempos olhando por cima do ombro.

O temor e a ansiedade não diminuíram mesmo ao dobrar a esquina, quando o lugar que chamava de casa naqueles últimos meses apareceu afinal em seu campo de visão. E, não pela primeira vez, ela se perguntava se as pessoas que amava estavam bem. Se estavam seguras.

Se aquilo que ela estava fazendo fazia alguma diferença para o mundo delas.

Não eram pensamentos diferentes daqueles que Mina tinha, enquanto açulava Finvara, cortando caminho em meio à tempestade, tomando cuidado para não se aproximar demais das escarpas, enquanto os trovões ribombavam sobre sua cabeça.

As decisões que tinha tomado aquele dia poderiam influenciar enormemente o que estava acontecendo. Ela tomara a vida de alguém sob sua responsabilidade; tomara uma posição frente ao que estava acontecendo.

E aquele, talvez, fosse o primeiro passo para assegurar uma chance... um futuro... um reencontro...

The world comes to life
and everything's alright
From beginning to end
When you have a friend
By your side
That help's you to find
The beauty of all
When you'll open your heart and
Believe in
When you believe in
You can believe in



A primeira coisa que ela percebeu – depois de ter se assegurado que Herman estava bem, estava vivo e estava ali – foi a maneira como Mina estava próxima ao Cão, de mãos dadas, com um ar ligeiramente conspiratório na expressão cansada, mas, ainda assim, sorridente.

Antes que ela pudesse dizer alguma coisa, contudo, a terceira mafiosa – a única que faltava para a cena estar completa – irrompeu à porta, com ninguém mais que Mahala a tiracolo.

Lorelai abriu e fechou a boca por um segundo, tentando entender em que diabos de dimensão alternativa ela tinha ido parar. Mas tudo isso deixou de ter importância quando Satanio começou a gargalhar do outro lado da enfermaria.

- E então? Onde está o montinho? Eu venho esperando isso faz meses!

Não foi preciso mais que isso. Em meio aos risos dos amigos e dos olhares confusos de todos os outros ocupantes do lugar, as três praticamente correram para cima ma das outras, num abraço coletivo que terminou com todas no chão, rindo e chorando como se não houvesse amanhã.

- Isso requer uma comemoração. – Sam riu.

- Uma noite do pijama. – Mina concordou.

- Eu sinto que temos toneladas de fofocas para colocar em dia. – Lore completou – E, agora, todo o tempo do mundo para fazê-lo.

- Nem tanto... Vocês terão que ajudar a organizar um casamento. – a voz de Isaac observou por trás delas.

O rosto da domadora adquiriu um peculiar tom de vermelho-quase-roxo, enquanto as outras duas observavam-na estupefata. A surpresa, contudo, demorou tempo suficiente apenas para que Sam recobrassem a presença de espírito.

- Isso! Montinho na generalíssima!

The gift of a friend


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Sexta-feira, Dezembro 18, 2009



Chacina - Final


Chris observou a postura da companheira, antes de se voltar completamente para o outro rapaz caído no chão. Ele podia sentir a tensão da jovem Dashwood, a hesitação em terminar aquilo que tinham começado.
 
             - Parece que ainda temos um aqui, não é verdade? - ele perguntou com a voz pungente de ironia, cravando os olhos verdes sobre ela - Temos que dar um jeito nisso, o que acha?
 
             Ela não respondeu, ao invés disso preferiu esperar para descobrir o que o rapaz estava planejando. Embora continuasse tentando arduamente camuflar seus sentimentos contraditórios, Melinda realmente receava pela vida de Tristan. Desde o momento em que percebera a presença do amigo entre os membros da comitiva rebelde, ela fez o que estivera ao alcance dela – de forma que Morel não desconfiasse - para que McCloud sobrevivesse.
 
Para surpresa dela, o outro comensal veio postar-se às suas costas, uma mão insinuando-se sob o braço com que ela segurava a varinha, fechando a mão sobre seus dedos. O que ele estava pretendendo? Teria percebido? Estaria segurando-a para que ela não pudesse fugir?

Outro meio sorriso insinuou-se nos lábios de Christopher. Ele tinha razão, Dashwood não queria continuar. Talvez ela conhecesse aquele último sobrevivente... talvez ele fosse alguém importante para ela.
 
            - Você tem dez segundos. - ele disse num murmúrio, encarando o rapaz moreno no chão - Dez segundos para correr por sua vida. Se não conseguir sair do meu campo de mira em dez segundos... Receio que terei de usar minha última flecha. Então... Um...
 
Tristan observou-o, incerto sobre o que o comensal dizia. Olhou de soslaio para a outra comensal, tentando descobrir algum indício sobre o que estava por trás daquilo tudo. Talvez fosse impressão de McCloud, mas ele notou um leve brilho de alívio nos orbes anis de mulher.
 
            - Dois...
 
Aquela parecia ser, então, a única chance que tinha. Ainda que não desse as costas para eles, acabaria por morrer. E não podia morrer de maneira tão imbecil. Havia ainda muitas coisas a fazer, muito da vida que queria aproveitar. Não poderia deixar Selune sozinha no mundo, ele prometera que nunca iria abandoná-la, e não estava disposto a quebrar aquele juramento.
 
            - Três...
 
            Melinda observou, ansiosa, enquanto Tristan levantava-se. As pernas do amigo estavam tremendo, possivelmente era a primeira vez que ele se via cara a cara com a morte, contudo, a expressão de McCloud era nitidamente orgulhosa e desafiadora.
 
            O moreno continuou a contar, observando o outro se afastar. Largando a mão da moça, ele voltou a erguer a besta, fazendo mira. Pouco se importava se sentira-se inicialmente misericordioso. Ele dera um prazo. Se o rapaz não era capaz de entender algo tão simples, então, não merecia viver. Era como todos os outros, apenas alguém que se deixava levar pelas ordens de seus superiores, sem questionar-se acerca da culpa ou inocência dos mesmos, sem escolha, sem consciência.
 
            - Nove...
 
            Tristan já tinha se afastado o suficiente. Melinda viu Chris colocar o dedo no gatilho.
 
            - Dez.
 
            Em desespero e sem refletir sobre o que fazia, ela empurrou o outro comensal para o lado, ao mesmo tempo em que a flecha partia da besta, zunindo e cortando o ar, enquanto Tristan aparatava para longe deles. Christopher deu alguns passos para trás, pouco antes de recuperar o equilíbrio. Estavam agora sozinhos no pequeno beco. Ele deixou o capuz cair para trás e retirou a máscara.
 
            - Por que fez isso? – ele perguntou sem entonação.
 
            - Ele costumava ser meu amigo. - ela respondeu, sincera, encarando-o friamente, apesar de uma sombra em seus olhos lhe traíssem. Ela temia a próxima reação de Morel, contudo, já roubara tantas coisas preciosas das pessoas que amava, pelo menos a vida deles ela não se permitiria saquear.
 
Christopher a observou em silêncio pela segunda vez. Ela não saberia precisar o que ele estava procurando, mas, aparentemente, ela passara no exame, pois, no segundo seguinte, ele lhe deu as costas, desaparatando, sem esperar por ela.

Melinda suspirou. Pelo menos já havia terminado, seus superiores dentro do exército do Lorde das Trevas tiveram o show que queriam. E agora não levaria muito tempo até que Londres inteira estivesse fervilhando diante da notícia daquele massacre.

Os remanescentes da ordem da Fênix, independente de qual facção pertencessem, saberiam que não havia clemência para aqueles que desafiavam os atuais donos do poder. 



Terça-feira, Dezembro 15, 2009



Chacina - Parte 1


O rapaz, caído no chão, encarou-a com um misto de ódio e terror, enquanto ela levantava a varinha em sua direção. Havia respingos de sangue na máscara dela. Os olhos azuis fixaram-se nos dele, demonstrando emoção alguma e parecendo mais escuros do que antes.
 
Tristan McCloud sabia que se travava de uma garota, pois o contorno que se insinuava por baixo das vestes negras a denunciava. Alguma coisa dentro dele parecia insistir em dar àquela estranha um ar de familiaridade. Mas a racionalidade dele insistia em dizer o contrário. Não poderia ser ela... Por mais errado que fosse o caminho que ela escolhera, duvidava que pudesse se envolver em tamanha carnificina.
 
O rapaz, incapaz de conseguir sair da mira da serva de Voldemort, tentou descobrir como as coisas haviam dado tão terrivelmente errado a ponto de ver praticamente todos os seus companheiros massacrados selvagemente diante seus olhos.
 
Já fazia mais de um mês que havia se juntado à resistência via os contatos que conseguira na escola de magistratura bruxa da Academia de Estudos Alquímicos, com o intuito de fazer frente ao comensais, mas também, de localizar a amiga perdida. Contudo até agora não conseguira descobrir absolutamente nada sobre Melinsa Dashwood. Nenhum alento para dar à família dela ou mesmo para a outra melhor amiga de ambos, Yvaine Lancaster, que, felizmente, estava do outro lado do mundo. Segura de todo aquele horror.
 
Agora, tudo indicava que não iria descobrir absolutamente nada. Morreria com a dúvida que aqueles olhos azuis que lhe encaravam emanavam. 
 
Protegida sob a máscara, Melinda Dashwood desejava que Tristan não a reconhecesse, por vergonha de tudo o que ele acabara de testemunhar. Era verdade que grande parte daquela chacina havia sido feita por seu companheiro de horda das trevas, mas ela também ceifara alguns daqueles que estavam espalhados sob o chão.
 
Tinham recebido a informação de que um contingente significativo de membros da resistência se reuniria naquela tarde, e, para a sua própria surpresa, ela fora designada para o papel de ceifadora, justo ela, mais acostumada a agir de modo mais sutil.
 
Amargamente o destino ainda lhe presenteou com a ironia de que entre os rebeldes se encontrava Tristan McCloud. Um de seus melhores amigos, em alguns aspectos, praticamente um irmão mais velho.
 
Ela sabia que não conseguiria matá-lo, mas, ao mesmo tempo, não realizava como tirá-lo daquele pesadelo. Tudo o que conseguia fazer era manter-se como uma estátua diante dele.
 
            Um último clamor de piedade foi ouvido mais adiante, antes que o segundo comensal terminasse seu serviço. Já não havia mais ninguém. Tristan era o último sobrevivente. E, pelo olhar da comensal, essa situação não demoraria a mudar.
 
            Foi nesse instante que o outro se aproximou. Ao contrário da moça, ele usava a máscara que lhe ocultava apenas a parte de cima do rosto. Havia um meio sorriso nos lábios dele e as mãos, envoltas por luvas brancas, encontravam-se agora cheias de respingos de sangue. A espada que ele usara voltara a ser embainhada e ele apenas segurava a pequena besta negra, onde uma flecha ainda resistia, esperando por seu alvo.
 
Melinda, quase automaticamente, olhou de soslaio para Christopher Morel. Ela já havia visto Ian realizar suas missões de extermínio, contudo, mesmo com a mente retorcida após o acidente nas Hébridas que deformara parte do rosto do rapaz, o namorado dela nunca chegara a uma selvageria tão intensa quanto àquela que, pela primeira vez trabalhando ao lado de Morel em algo do gênero, ela vira o domador desempenhar.
 
Parecia que por trás da expressão carrancuda e gélida do moreno se escondia um demônio, ou, pelo menos, alguém tão dominado pelo ódio que seria incapaz de refrear a fúria assassina de destruir tudo e todos ao seu redor.
 
Mel olhou novamente para Tristan, temendo sobre o destino do rapaz, e, talvez o dela própria, pois, não conseguia prever qual seria a sua reação quando Christopher decidisse agir.

Nota: Avisando aos nossos amados e queridos leitores que os arquivos foram atualizados e vocês já podem ler nossas fics antingas mais recentes e se atualizar nas aventuras do pessoal do Expresso



Quarta-feira, Dezembro 09, 2009



- Afinal, o que a atingiu? - ele perguntou, sem deixar transparecer o rompante de poucos minutos antes.

Eles explicaram que o feitiço atingira as costas de Sam, queimando-a. Seria um problema simples, não fosse pelo fato de que a ferida estava se propagando para o resto do corpo.

- O que me intriga é que raios de feitiço é este! - Byrne falou batendo na parede. - Até o medibruxo falou que ia testar algumas contra-azarações, pois não conhecia aquela.

Ao ouvir isso Lusmore associou a informação que coletara naquele mesmo dia, sobre teste de poções e criações de novas azarações. A Resistência estava investigando novos feitiços vistos pelas fontes internas do Ministério.

Suspeitavam que as pessoas que estavam sumindo pelas mãos do Ministério estariam sendo usadas como cobaias. Iriam agora procurar não só o local para onde essas pessoas eram levadas, mas também onde estavam sendo criados e testados esses feitiços.

- Ela vai ficar bem. - Isaac observou, quase baixo demais para que os outros ouvissem.

- Sim, ela vai... – Lusmore concordou quase que para si.

Foi nesse momento que as palavras de Byrne pouco antes ressoaram no ouvido do bardo. Ele nunca perguntara a Sam por que ela mudara de célula. Na verdade, não falara com ela desde então, simplesmente não trocaram uma palavra nesse meio tempo, mesmo morando na mesma casa.

O rapaz se perguntou como pudera não ter perguntado algo tão importante como o motivo dela ter saído do grupo dele. Ele nem sabia se algo tinha acontecido com Sam que a tivesse levado a tomar essa decisão. Ele, na verdade, não sabia de nada.

Impaciente, ele se levantou e começou a andar de um lado para o outro, achando que poderia estar sendo mais útil ajudando o medibruxo.

Quinze minutos depois, Herman desceu as escadas com um sorriso no rosto, o que aliviou os rapazes que estavam esperando. Mercury falou que ficara realmente apreensivo ao ver o estado da amiga, mas que naquele momento estava bem.

O bardo nem esperou saber mais, levantou-se para subir e ver Sam. Quando estava no meio da escada ouviu o mensageiro chamar.

- Entre em silêncio que Sam está descansando. - Herman sorriu levemente ao falar aquilo.

Lusmore não chegou a se demorar para dar uma resposta. Segundos depois, ele estava no quarto da moça, o medibruxo aparentemente já tendo ido embora. Devagar, ele se aproximou da cama, observando as formas da moça sob o lençol.

Com cuidado, o rapaz afastou ligeiramente os panos, revelando a queimadura nas costas de Samantha. Ele se lembrou de um conto antigo que a tia contara a ele e Mina ao redor da fogueira, quando eram crianças... Um anjo que viera a Terra e, pela maldade dos homens, que tinham sentido inveja de suas asas, tivera-as arrancadas de suas costas.

A ferida dela era como se suas asas lhe tivessem sido arrancadas.

Ele suspirou, voltando a cobri-la, ao mesmo tempo em que se sentava no chão, cruzando as pernas em borboleta. Ele falhara em protegê-la. E aquela não era a primeira vez em que falhava com as pessoas com quem se importava.

- Eu sei que prometi que não faria isso sem seu consentimento. – ele observou com a voz baixa, alcançando uma das mãos dela que estavam abraçadas ao travesseiro, segurando-a delicadamente entre as suas. Um pequeno brilho azulado circundou-a – Mas as circunstâncias mudaram agora. Você pode até me odiar mais tarde. Mas eu não vou deixar que isso volte a acontecer. E, para isso, eu preciso que você me dê suas memórias. Para que eu possa entender o que houve.

O brilho aumentou pouco a pouco, preenchendo o quarto com um calor cálido. Profundamente adormecida, Sam não fez menção de qualquer resistência enquanto Lusmore mergulhava em suas lembranças, buscando as cenas do combate de mais cedo.

Ele sentiu cada uma das sensações que ela sentira, desde o momento em que Godfrey chegara. A expectativa, o temor, o calor da luta. E também ele viu mais do que ela vira – o comensal que chegara por trás, o brilho de ódio sob a máscara, o feitiço que ele lançara.

Aquilo era o suficiente. A retrospectiva que ela lhe dera sem saber era o suficiente para que ele compreendesse tudo o que ocorrera, interligando os fatos às suas próprias descobertas. O relatório para August aquela noite seria extenso.

Entretanto, quando estava prestes a quebrar a ligação, as palavras de Bryne pouco antes voltaram a ecoar em sua própria mente. Por intuição, Lusmore sabia que se perguntasse à queima-roupa para Sam, ela não diria porque se afastara.

Aquela era uma oportunidade única. Ainda que fosse para aliviar seus próprios sentimentos egoístas, ele precisava saber.

Tão logo a decisão estava tomada, ele voltou a forçar as lembranças de Samantha, dessa vez mais profundamente, procurando as respostas para suas questões. Dessa vez, contudo, ele encontrou certa resistência. Mesmo inconsciente, ela parecia saber que ele estava entrando em território proibido.

Mas a garota estava fraca demais para fazer frente a um ataque mental direto do druida. As barreiras não demoraram a se diluir, dando pleno acesso ao rapaz.

E então ele compreendeu.

A luz desapareceu com o fim da magia, enquanto ele observava um tanto surpreso o semblante adormecido de Sam, ligeiramente contorcido de dor. Com o máximo cuidado, ele devolveu a mão dela para debaixo do travesseiro, levantando-se.

Por alguns instantes, ele pareceu hesitar, mas então, abaixou-se ligeiramente sobre o rosto dela, beijando-a suavemente na testa.

- Eu sinto muito por ter machucado você, Samantha. – ele murmurou.

Porém não era por ter visto as memórias dela que ele estava se desculpando...



Segunda-feira, Dezembro 07, 2009



A cena que Lusmore presenciou ao abrir a porta de casa deixou-o preocupado. O bardo saíra cedo de casa para uma missão solo, algo simples, onde podia se dar ao luxo de ir sem cobertura. Tinha agora alguns recados importantes para passar para Herman e Isaac.

Mas isso imediatamente sumiu de sua cabeça quando percebeu Byrne andando de um lado para o outro, volta e meia olhando para as escadas. Seu rosto tinha a feição de preocupação e os olhos vermelhos. Isaac, por sua vez, estava sentado, também olhando para a escada.

Aqueles eram indícios mais que suficientes para que ele pudesse chegar às suas próprias conclusões.

- O que houve dessa vez? Quem se feriu?

Até aquele momento, nenhum dos dois tinha percebido a chegada do rapaz. Lusmore aproximou-se, absolutamente sério, os olhos azuis denotando não apenas a preocupação, que era bastante óbvia, mas também o pragmatismo.

Era em momentos como aquele que era possível entender porque August escolhera o sobrinho como líder de uma das células.

Foi Isaac quem se levantou, aproximando-se do companheiro. Ele sabia que Michael estava nervoso demais para conseguir explicar o que acontecera, assim, só restava a ele resolver a questão.

Ele rapidamente resumiu sobre a missão pela qual o outro grupo estivera responsável, que tinham conseguido realizá-la com sucesso, mas Samantha fora atingida por um feitiço e gravemente ferida e que estava agora sendo atendida por um medibruxo enviado pela Resistência.

- Há quanto tempo eles estão lá? – Lusmore questionou, a voz destituída de qualquer inflexão.

- Pouco mais de uma hora. Herman está com ela.

O moreno não perguntou mais nada, apenas ergueu os olhos, encarando as escadarias antes de, decidido, acercar-se delas. Antes, porém, que pudesse começar a subir, Michael se interpôs em seu caminho.

- Falaram para não interrompermos até termos notícias, por isso estamos esperando aqui. Mercury vai nos falar quando tudo estiver bem. - Byrne falou.

Lusmore encarou-o com olhar atravessado.

- Se estiver bem, não é? – ele questionou com um tom friamente irônico - Onde diabos estava você? O líder da célula tem que tomar conta dos seus companheiros antes de tudo!

- Ei! Eu estou tão preocupado quanto você, não venha descontar em mim. - Byrne respondeu de imediato se aproximando do outro.

Lusmore rilhou os dentes. Aquele idiota oxigenado estava realmente tentando lhe enfrentar?

- Se tivesse sido competente na sua função não precisaríamos estar preocupados. – ele retrucou, os olhos brilhando ameaçadoramente.

- Não ouse falar da minha função como líder. Se a sua fosse tão boa, Sam não teria pedido para mudar de célula.

Lusmore abriu a boca para falar mais, mas sentiu a mão de Isaac em seu ombro. O rapaz percebera os ânimos dos dois companheiros rapidamente se exaltarem e, se não fizesse alguma coisa rápido, talvez quando terminasse com Samantha, o medibruxo tivesse mais pacientes para atender.

- Discutir não vai ajudar em nada. – ele observou, num tom sério.

Bufando e suspirando alto, Lusmore se jogou no sofá, volta e meia olhando para as escadas, exatamente como os dois estavam fazendo antes.



Sexta-feira, Dezembro 04, 2009



Sam e Michael não tiveram tempo de ajudar o amigo, pois logo depois tudo estava rodando e estavam sendo levados para o ponto de encontro onde a balsa levaria, por modo trouxa, as pessoas para fora da Inglaterra. Viram também que apesar do rosto de dor, ele estava acordado e ainda segurava na chave.

Byrne viu, assustado, que segurando na capa de um dos rapazes estavam dois comensais. Sam tentou chutar um deles, que a puxou pela capa. O rapaz que estava ao lado da morena a segurou quando viu que a mão dela se soltava.

- Soltem! - Michael falou já lançando feitiços em cima dos comensais.

Troy e Sam tomaram as posições já combinadas, caso houvesse algum problema nesse tipo de missão. O líder seria o responsável por levar as pessoas para um lugar seguro e os outros dois responsáveis pela segurança deles.

Os três lançaram feitiços nos comensais que se esconderam atrás de algumas árvores. Isso deu a chance que Michael precisava para conseguir levar os quatro fugitivos para seu meio de transporte, deixando Troy e Sam para trás.

Sem pensar duas vezes a morena tirou sua capa e envolveu seu amigo que estava ferido. O rapaz sabia que aquela capa era uma proteção a mais de Samantha, mas não havia tempo para discutir com a garota. Ele correu para trás de uma pedra alta, com ela logo atrás.

- Michael já vai embarcá-los. Precisamos apagar esses dois para que eles não passem o local da balsa. - Sam falou, se levantando. - Plano B?

O rapaz assentiu e viu a amiga aparatar mais para cima de onde estavam. Os dois ficariam lançando feitiços de pontos diferentes, também dividindo os alvos dos comensais.

Os comensais olhavam um para o outro enquanto atacavam, e se perguntando onde estavam. Também se perguntavam por que não conseguiam aparatar dali para o Ministério para trazer reforços. O que eles não sabiam era que um dos feitiços utilizados para proteger o local de embarque dos fugitivos era algo que não permitia aparatação à longa distância, somente dentro de um alcance pré-determinado. Só se conseguia aparatações curtas.

A luta estava equilibrada e nenhum deles conseguia se movimentar sem abrir sua guarda para ser atingido. Sam e Troy não podiam contar com a sorte que o rapaz antes tivera de não ter sido atingido por um feitiço mortal.

Utilizando um dos fogos filibusteiros dos Wesley, Troy tirou a atenção de um comensal que se assustara com o grande dragão vermelho que avançara até ele. Aproveitando a brecha, Sam o atingiu derrubando-o.

- Se entregue que não o mataremos.

Falou Michael aparatando ao lado de Troy. Aquilo era um sinal para seus dois amigos saberem que a balsa tinha partido e o que faltava era tirar aqueles comensais do local utilizado pela Resistência.

O comensal estreitou os olhos em resposta ao que o Byrne falou. Ele olhou os três que o cercavam e viu que não teria muita chance contra eles. Estava em grande desvantagem agora que seu colega caíra.

Atrás da máscara, o homem sorriu maldosamente ao pensar no que fazer. Ele iria cair, mas iria levar um com eles.

Ele aparatou atrás de Sam, acertando-a pelas costas. O comensal sabia que estaria abrindo sua guarda para receber um feitiço, mas o que ele queria era fazer com que os outros sentissem muita dor, ao menos um deles.

Michael olhou, desesperado, a cena de Sam caindo com o comensal em suas costas com a varinha apontada para ela. Em poucos segundos Byrne acertou o homem e aparatou ao lado da amiga, que gemia de dor. O loiro sorriu ao ouvir aquilo, era sinal que estava viva.

Ao olhar Sam, ele ficou preocupado. Não sabia dizer qual feitiço a acertara, mas sua pele nas costas, que estava visível, estava sendo queimada. E, por algum motivo, parecia que estava se alastrando a partir do ponto onde o feitiço a atingira.

O rosto dela se contorcia, enquanto ela se controlava para não gritar. A morena apertou fortemente a mão do seu amigo, tentando buscar um ponto de sanidade.

Com um movimento da varinha Troy amarrou e amordaçou os dois comensais. Com outro feitiço fez o que estava longe ir até eles.

- Vou levar esses dois para serem interrogados e terem suas mentes apagadas. - Ele falou. - Leve Sam para casa, vou avisar que precisam de um medibruxo urgente.

Michael concordou e ativou a chave de portal que iria tirá-los dali, era importante cuidar de Sam o mais rápido possível.



Quarta-feira, Dezembro 02, 2009



A missão que foi passada era algo cada vez mais corriqueiro, retirar pessoas do país. Estas já estavam preparadas para partir e o caminho a ser tomado já estava planejado. Michael, Sam e Troy estavam prontos em uma casa perto de um bosque, esperando Godfrey chegar.

Eles tinham que ir até o coração da floresta e, em um local que já foi avisado, achar a chave de portal. Não poderia ter atrasos e menos ainda se darem ao luxo de serem seguidos. O líder da célula era o único que sabia como ativar a chave ao vê-la e depois aguardar o outro lado ativá-la também na hora marcada.

Naquele momento as brincadeiras que aconteciam em casa eram deixadas para trás e a seriedade tomava conta. Um era responsável pela vida do outro. Ninguém que olhasse aqueles três acharia que se trata de três jovens que nem alcançaram os 20 anos...

Com as varinhas em punho, eles olhavam em volta esperando as pessoas que iriam partir. Cinco pessoas aparataram na porta que se abriu mostrando dois homens e duas mulheres, junto de McKinnon.

- Desculpe o atraso, achei que estavam nos seguindo. - Godfrey falou. - Melhor se apressarem, pois a balsa não irá esperar.

Não tinham tempo e não era aconselhado apresentações. Todos somente balançaram as cabeças concordando. Os quatro que iriam fugir esperaram seus guias se moverem para segui-los. Foi avisado a eles que o melhor era ficarem calados e obedecerem quando ordenados.

A caminhada era marcada pelo silêncio dos sete e o respirar mais alto dos quatro mais preocupados com o que podia acontecer com eles se fossem pegos. Michael foi na frente, Sam no meio e atrás ia Troy. Os três da Resistência ficavam atentos aos sons e movimentos diferentes naquelas matas.

Em dois momentos Michael sinalizou para pararem e Sam e Troy rodearam os quatro. Uma das mulheres tremia de medo e era acalmada pelo rapaz que parecia ser seu filho. Nessa hora o líder fazia uma sondagem da área enquanto os outros dois ficavam em alerta, preparados para um eventual ataque.

- Melhor nos apressarmos, sinto que tem algo errado aqui. - Byrne falou ao voltar.

O passo foi acelerado independente do barulho que faziam. Chegou a um ponto em que todos estavam correndo, mesmo sem ver o que estava atrás deles ou se tinha realmente algo ou alguém.

Sam diminuiu o passo ficando um pouco atrás do grupo, mais à lateral. Com a varinha em punho ela olhava para os lados procurando alguma sombra. Já aprendera que quando Michael tinha esse feeling tendia a ser algo. Ela viu a sinalização nas mãos do loiro que estavam se aproximando da chave do portal e era para ficarem mais atentos.

Ele se abaixou e pegou uma fita rosa de cabelo. Antes de ativar a chave ele falou para todos se aproximarem e segurarem em um pedaço. Sam, Troy e Michael apontaram as varinhas para fora do círculo, esperando algo. Em resposta algumas sombras surgiram mais distantes, com alguns feitiços já sendo lançados em direção a eles. Os três utilizaram feitiços de proteção e falaram para que ninguém soltasse a chave.

- Já vamos para sair daqui. - Falou Sam.

Michael ativou a chave alguns segundos antes do horário de ativação do outro lado, já esperando algo parecido. Troy viu que uma das mulheres estava soltando a fita por medo e, colocando sua varinha entre os dentes, usou sua mão para firmar a dela. A chave foi ativada logo depois, mas não antes de um feitiço acertar o rapaz nas costas

continua...



Quarta-feira, Novembro 25, 2009



O vento frio de outubro brincava nos cabelos de Meridiana. Vista assim, de costas, parada à beira do lago de Hogwarts abraçando o próprio corpo vestido com o uniforme da escola, ela parecia uma jovem comum. Mas o Conde di Camposanto sabia que a verdade era outra.

Meridiana não era uma jovem comum; ela era uma Black-Thorne altiva e cheia de personalidade, que precisaria de um motivo muito extraordinário para quebrar a escrita que se estabelecera de a iniciativa das visitas partirem dele. Jarno meneou a cabeça e sorriu, malicioso: sabia muito bem qual era o motivo, e antegozava os efeitos que dele viriam...

Poucos metros o separavam da ruiva; ele os palmilhou sem pressa, amassando as folhas que o outono espalhara pela grama amarelada. Mantinha o olhar preso na nuca de Meridiana, como se desejasse, desta forma, anunciar-se à jovem. A poucos passos dela, estacou; cruzou as mãos por sobre o castão de sua rica bengala e aguardou.

Meri sentiu um arrepio na nuca, quase como se estivesse sendo alvo de algum predador silencioso. O fundo da mente da moça lhe avisou que não estava sozinha. Ela virou-se, observando a figura imponente de Jarno di Camposanto a fitá-la com explícito interesse.

Embora não houvesse prazer para ela naquela visita, pelo menos se sentia relativamente satisfeita ao perceber que ele não se atrasara ao encontro que ela marcara. Ela lançou um olhar incisivo para ele, sem conter a fúria que queimava no fundo de seus orbes esmeraldinos.

-Eu quero que você tire isso do meu dedo – ela falou, ríspida e exigente, levantando a mão onde se encontrava o anel de noivado.

- Si, Contessa – respondeu ele, aproximando-se, felino, um pouco mais de Meridiana – Retirarei, lisonjeado, quando for il momento de passá-lo para la tua mano esquerda.

A ruiva mordeu o interior dos lábios tentando se controlar; ela soubera desde o momento em que descobrira que o maldito anel não sairia de seu dedo quando ela desejasse que Jarno não iria facilitar as coisas.

-Eu concordei com o nosso compromisso, Camposanto – ela falou, tentando passar uma calma e frieza que não existia em seu interior – Por ser vontade de meu tio, e ele sabe o que é melhor para nossa família. Contudo, não me agrada a idéia de não ter a liberdade de me dispor da aliança quando eu desejar.

- Io, io, io... Você usa molto questa expressão, Contessa... Non a vejo levar em consideração la mia opinione – comentou Jarno, aparentemente contrariado. Entretanto, era fácil ver em seus belos olhos amendoados toda a diversão que a situação lhe trazia – Il noivado è un’ inpegno, non’una disposição. A me non me piace saber che la mia sposa se livra do anel que tão gentilmente lhe ho datto assim che viro as costas...

-E qual é a sua opinião, Conde? – ela falou, quase incapaz de se conter, sentindo que a tez vermelha deveria estar traindo a aparente calma que desejava manter – A de que eu vou ser sua propriedade e não sua esposa?

- La mia opinione, Meridiana – respondeu o italiano, saboreando cada detalhe da ira que a jovem tentava inutilmente conter – é che você deveria esquecer un poco essas questioni di famiglia e pensare um poco più em nós...

E, com um meio sorriso, aproximou-se da jovem, tocando-lhe de leve os cabelos.

Um bloco de gelo pareceu ter caído, pesado, no estômago de Meri ao sentir o contato da pele do italiano. Ela sabia que eles eram noivos e que, invariavelmente, Jarno desejaria algum tipo de contato físico. Algo que ela não estava disposta a ceder, ela não conseguiria trair Lucien, nem mesmo para se aproximar um pouco mais de sua vingança contra Ludovic.

Novamente ela sentiu o tremor do desespero perpassar por seu corpo. E novamente o conde saboreou o momento, deixando sua mão deslizar preguiçosamente dos cabelos para as costas da jovem, trazendo-a para junto de si, encostando o corpo dela no seu; inclinando o rosto, roçou os lábios levemente pela testa de Meridiana, depois em sua fronte, em sua face, adiando com prazer o momento em que lhe roubaria mais um beijo – pois os roubados eram os melhores, ainda mais em se tratando de uma Black-Thorne geniosa e resistente...

Antes, contudo, que o italiano concretizasse seu intento, uma voz masculina, séria e grave, se anunciou.

-Espero não estar interrompendo nada.

Jarno sentiu Meridiana desvencilhar-se de seu braço e ele então apertou momentaneamente os olhos, gesto muito seu quando era interrompido em qualquer circunstância. Quando os reabriu, deparou-se com uma cena que lhe parecia, no mínimo, curiosa: ao seu lado, sua noiva exibia no rosto corado um misto de espanto, vergonha e até mesmo um certo alívio. À sua frente estava um rapaz de seus 17 anos, de cabelos escuros e olhos bicolores que brilhavam com uma fúria quase assassina na direção do italiano. O jovem respirava pesadamente, trazia os punhos cerrados e causava em Jarno uma estranha sensação de familiaridade.

Do fundo de sua memória Camposanto conseguiu evocar uma imagem: festa em casa de Agamennon Star, um obliviate e uma interrupção... Sim, coincidências da vida, eis ali o mesmo rapaz que o atrapalhara àquela vez, sendo que, agora, o rapaz era praticamente um homem feito.az que o interrompera liviate e uma interrupço, vergonha e ate stando o corpo dela no seu; in E um homem extremamente irritado.

Camposanto deixou seu olhar passear do jovem para a jovem e um sorriso perpassou seus lábios. O conde não podia precisar se já acontecera alguma coisa entre os dois, se acontecia às suas costas, se ainda iria acontecer ou se era apenas uma esperança do rapaz; todavia, uma coisa era certa: havia algo ali, algo quase palpável.

- Volte para a aula, giovane - ele ordenou, com ar displicente, fitando o rapaz - Severus Snape non costuma essere gentile con cabuladores de aula.

Pânico. Foi o que Meridiana sentiu ao deixar seus olhos pousarem novamente em Lucien. Ela sabia que, por mais calmo que o namorado aparentasse ser, ele estava prestes a explodir com aquela situação. Desde o começo ele se opusera à idéia de Meri em aceitar a farsa do noivado. Não que ele não confiasse nela, na realidade não suportava e tampouco confiava em Camposanto.

Ela olhou para Lucien com uma súplica silenciosa de que não fizesse nada; contudo, os punhos cerrados do namorado pareciam indicar que ele desejava ignorar o pedido dela. Desse modo, sobrou à moça a única opção possível, apelar para quem ela menos desejava depender.

-Por favor, Jarno – ela falou, pousando a mão no braço dele – Você também precisa ir embora, minha próxima aula começa daqui a pouco.

Camposanto sorriu, pousando sua mão sobre a de Meridiana e ignorando solenemente a presença de Lucien.

- É una pena, Contessa, ter que lasciarla tão cedo e giustamente quando tutto estava indo tanto bene... - comentou, com um sorriso dúbio de pesar - Ma, credo che seu zio Ludovic também non gostaria che il mio amore atrapalhasse sua formazione academica. Andiamo, presto... Venha, vou acompanhá-la até o castelo - ele completou, passando o braço por sobre os ombros de Meridiana e beijando-lhe os cabelos.

Lucien apertou os punhos com mais força, quase bufando ao ver os dois se afastando. Tentava segurar a fúria que lhe devorava as entranhas. Não era necessariamente ciúmes o que ele sentia, embora ver outro homem tocar a sua fraulëin fosse torturante além de qualquer descrição. Ele confiava no amor de Meridiana como a coisa mais certa e segura de toda a sua vida.

O que ele temia era Jarno. Por mais que Meridiana soubesse se cuidar, ele sabia o quão persuasivo o italiano poderia ser. Ele não poderia consentir que o conde avançasse em suas investidas a um ponto que Meri não fosse capaz de impedi-lo. Ele não permitiria que sua ruivinha fosse novamente ferida.

Ele iria protegê-la, nem que precisasse deixar de lado toda a fleuma com que fora criado e partir para uma atitude mais drástica e incisiva.



Sexta-feira, Novembro 20, 2009



Anel de Noivado - Final


A moça de cabelos carmim permaneceu em silêncio, se contentando em lançar um olhar altivo para o homem.

O olhar da jovem fez um arrepio quente percorrer a pele morena do italiano. Era de uma sutileza ímpar, mas a visão experiente de Jarno conseguiu captar sob a fria altivez de Meridiana uma pequena rachadura na resistência da jovem, que ele achava ser plenamente capaz de vencer com paciência e determinação. Era preciso apenas descobrir qual era a viga-mestra daquela muralha; minando-a, Meridiana desmoronaria, indefesa, em seus braços.

Aproximando-se ainda um pouco mais da moça, Jarno, sem desviar seus olhos dos dela, entreabriu seu paletó e retirou de um bolso interno um pequenino estojo vermelho.

- Credo che seja do agrado de seu zio, ed’anche é il mio, che nostro noivado seja formalizado como convém. Questo regallo é para você, per tornare pública nostra união, Contessa.

E, com um gesto delicado e elegante, abriu o estojo e revelou a Meri seu conteúdo: um maravilhoso anel de ouro branco, onde rubis e esmeraldas compunham um harmonioso conjunto; belíssima jóia de estilo antigo e fino entalhe.

A moça olhou para o anel, momentaneamente sem saber o que dizer. Era uma jóia evidentemente cara, sem sombra de dúvidas. O esmero dos detalhes, a escolha das cores das jóias, que, de certa forma remetiam à própria Meridiana, tudo isso demonstrava o imenso cuidado que o conde tivera em escolher o anel.

Fosse outra pessoa, a ruiva interpretaria aquilo como um gesto de genuína afeição e carinho; vindo de quem vinha, ela sabia perfeitamente que se tratava de apenas mais um dos artifícios do italiano.

-É uma bela peça - ela respondeu por fim, recompondo-se.

- Ma... só isso, Contessa?... – Jarno murmurou, com um toque de pesar na voz, enquanto pegava a mão direita de Meridiana e a acariciava levemente.

A ruiva não fez menção de impedir o gesto, quanto mais cedo eles acabassem com toda aquela encenação, mais rápido se veria longe da presença de Jarno. Se ela não soubesse o quão importante tudo aquilo deveria ser para Ludovic, o quão feliz o tio ficaria em saber que ela seguiu os protocolos do noivado, Meridiana buscaria outra opção que não envolvesse a convivência com o italiano.

Contudo, o que lhe importava era enganar Ludovic, quaisquer que fossem os meios necessários a isso. Precisava que ele acreditasse que ela o escolhera como família, assim, ela não estaria apenas protegendo os seus, mas também buscando um modo de fazê-lo pagar por todos os crimes que cometera.

-Bela é uma palavra de infinitas conotações, conde. Creio que é um elogio digno - ela respondeu.

Um perigoso meio sorriso brincou nos lábios do belo italiano.

- Va bene, cara mia, va bene... Ma, vejamos come questo anel ficará em sua bella mão. Permesso – ele disse, erguendo a mão de Meridiana à altura de seu peito e deslizando lentamente a jóia pelo dedo anelar da jovem.

Meridiana sentiu um aperto no peito ao observar o gesto de Jarno. Mesmo sabendo que aquele suposto compromisso nunca se concretizaria, pelo menos não se dependesse dela, a mera possibilidade de passar o resto dos dias vindouros de sua vida com alguém que não fosse Lucien lhe doeu mais do que a máscara de dissimulação que tentava usar foi capaz de conter.

Ao perceber a emoção contida da jovem, Jarno beijou docemente sua mão e deslizou-lhe os dedos pelos cachos vermelhos, dizendo:

- Si, Contessa... Adesso somos promessi sposi... E teremos molto da vivere, daqui em diante... Da vivere e da fare...

E, aproveitando-se da proximidade ainda maior que conseguira ao acariciar-lhe os cabelos, Camposanto deixou que sua mão escorregasse para a nuca de Meridiana; puxando-a para si, fez menção de beijar-lhe os lábios, porém, contentou-se em apenas roçar seus próprios lábios na orelha da jovem.

Meridiana sentiu um arrepio inconsciente percorrer-lhe no corpo, revelando-se em um discreto tremor. Ela mordeu o interior dos lábios, fechando os olhos, para afastar o temor da mera possibilidade de ser de outro que não de Lucien.

Jarno por sua vez, saboreou o tremor de Meridiana como um seu golpe sutil, mas preciso, nos alicerces da muralha de resistência da jovem ruiva. Ficou tentado a prosseguir em sua investida, a roubar-lhe um beijo, ou uma outra carícia, mas achou melhor conter-se, por ora. O melhor estava ainda por vir, e não era preciso pressa...

- Buona sera, Contessa – ele murmurou, afastando lentamente seu rosto do de Meridiana, e deslizando pela face da moça a mão que mantivera até então em sua nuca – Mal posso aspettare por nostro prossimo encontro...

Afastando-se dela, sorriu-lhe maliciosamente e, depois de cumprimentá-la com uma reverência, deixou a sala com passo elegante e altivo.

Depois que viu o homem se afastar, Meridiana repetiu para si mesma, fitando a delicada jóia que ornava seu dedo, que, como toda a farsa que montara em torno de si, aquele teatro com Jarno era algo provisório, algo necessário para alcançar seu verdadeiro objetivo: Ludovic.

Contudo, talvez mais do que a maioria das coisas que se vira obrigada a fazer para realizar seus intentos, aquela se mostrava particularmente torturante.



Quarta-feira, Novembro 18, 2009



Anel de Noivado - Parte 1


A ruiva olhou mais uma vez no espelho, observando a própria figura. Ela esperava que nada na aparência dela desse ao conde uma impressão errada de que ela estivera se preparando com esmero e ansiedade para a chegada dele.

Fosse outro dia da semana, bastava-lhe apenas manter o uniforme da Grifinória, contudo, Jarno escolhera visitá-la em um domingo, e, conhecendo o homem, Meri supunha que a escolha do dia fora intencional.

Ela esperava que a calça jeans e o suéter amarelo, apesar do discreto decote em V, fosse o suficiente para o italiano compreender que pouco importava a ela a visita dele.

Na cama da moça jazia a carta que ele mandara, assinalando o dia da visita, e que precisava falar com ela, pessoalmente, ele enfatizou. Ao lado do pergaminho, uma caixa intocada de bombons de licores.

Meridiana não os comera, nem ao menos experimentara. Ela não temia que Jarno houvesse colocado algum filtro de amor nos doces, sabia que ele não gostava desse tipo de subterfúgio. Entretanto, repudiava à moça aceitar qualquer "agrado" da parte dele.

Enquanto caminhava para fora do quarto, seguindo para o corredor que levava à sala onde Jarno a aguardava, a voz de Lucien ecoava na mente de Meridiana. A reação dele à notícia do noivado fora exatamente a esperada pela ruiva, e, quando ela lhe contou que Jarno retornaria, o namorado foi incisivo ao afirmar que não lhe agradava a idéia de deixar Meridiana sozinha com aquele italiano cretino.

Antes de abrir a porta, Meridiana soltou um discreto suspiro, desejando que Lucien não tomasse nenhuma atitude impensada. Assim que ela entrou no recinto, Jarno se pôs de pé, dando o mesmo sorriso cínico e malicioso que parecia nunca abandoná-lo.

Mas, era impossível a Jarno não sorrir a cada vez que via Meridiana. Deliciavam-no sempre a fúria que escurecia o tom de verde dos olhos dela, a linguagem corporal claramente defensiva que ela adotava em sua presença, os argumentos curtos e diretos... O Conde tinha plena sabedoria do quanto sabia e podia ser sedutor a uma mulher, tivesse ela a idade que fosse, e imaginava o quão disciplinada a jovem Black-Thorne precisava ser para resistir-lhe. Mas, até quando essa disciplina a salvaria do alcance de suas mãos? Jarno acreditava que não demoraria muito, porém ele também não estava com pressa. Há vinhos que precisam ser apreciados com vagar, e Meridiana era um deles.

Supunha, divertido, as reações da jovem à sua carta e ao seu presente. Imaginou a expressão de desagrado da ruiva ao ler seu texto, ao pensar em revê-lo, e pensou, ainda, que ela deveria ter ignorado solenemente seus finíssimos bombons de licor; a calça jeans descuidada e o casual suéter amarelo que Meridiana usava eram provas disso.

Jarno aproximou-se da jovem e saudou-a com uma cuidada reverência. Não a tocaria dessa vez.

- Contessa – disse, apenas, num murmúrio sedutor.
-Conde - ela respondeu de modo curto, seco, em um tom tão formal que nunca antes utilizara em sua vida. Os olhos verdes pareciam faiscar em incontida fúria - A que devo a visita?

- Hmm... Sono tante raggione, bella Meridiana – respondeu Jarno, aproximando-se levemente da jovem, fixando nos dela seus olhos castanhos e mantendo o tom de voz aveludado – Puó essere por mero protocolo, você é la mia sposa... O puó essere por saudades de seus olhos tão lindos... Occhi profondi come il mare.

Por breves segundos, Meri sentiu-se tonta com o tom aveludado e suave da voz de Jarno, quase como se estivesse a um passo de ceder ao modo hipnótico com que ele falava. Ela se lembrava de Raven ter mencionado que o italiano parecia ter esse tipo de efeito sobre as pessoas, algo muito parecido com o que as veelas possuíam sobre os homens. Contudo, a ruiva conseguiu tornar-se novamente senhora de si... A voz de Lucien pareceu surgir-lhe do fundo do inconsciente em um sussurro suave que lhe dizia para tomar cuidado, avisando-lhe do perigo que Jarno realmente representava.

Ainda assim, Meridiana admitia para si que o italiano mexia com os brios dela. Suas reações na presença dele eram muito mais passionais e inflamadas que na presença de seu tio, apesar de ela tentar se conter - pelo menos como ela ainda se lembrava das últimas conversas que tivera com Ludovic pouco antes de ela conseguir fugir do cativeiro.


New Dawn no próximo domingo


Como eu disse antes, estamos trabalhando em presentinhos para vocês e nada melhor que dar esses presentes (e capítulo novo) na semana de estreia de Lua Nova!

Assim, domingo que vem, estaremos oficialmente de volta com a nossa saga vampírica!!!

beijos a todos,
Katchiannya

Exposição Batman 70 anos: uma homenagem



Exposiçãot
Clique para ver ampliada

Palestra
Data: 24 de novembro de 2009
Horário: 19h
Local: Teatro da Biblioteca (Praça da Liberdade, 21)



Segunda-feira, Novembro 16, 2009



Ela fechou os olhos tentando absorver todo o silêncio do palco vazio e da platéia ausente. Embora curto, o período em que Miss Rennard havia tentando ressuscitar o clube de teatro de Hogwarts foi significativo para a vida de Meridiana.

Estar naquele lugar, a acalmava. Era quase irônico que agora que a sua vida havia se tornando uma quase perpétua encenação, era ali, na solidão do teatro, que ela conseguia relaxar um pouco e ser ela mesma.

Quando os Carrow resolveram destruir tudo que remotamente evocasse o modo de vida trouxa ou a arte e a alegria de viver transformando Hogwarts praticamente em um campo de treinamento comensal, eles nem sequer se importaram em lacrar o teatro com feitiços, como uma forma de mostrar o quão aquilo era “insignificante”.

Por sorte, a grifinória ainda tinha as chaves do lugar, da época em que era uma das monitoras do grupo. Ela fez uma cópia para Lucien.

Claro que havia a sala secreta que Kamus revelara à Adhara assim como a Sala Precisa, contudo, os dois decidiram que precisavam também de um terceiro local de encontro, onde pudessem conversar com ainda mais privacidade, sem correrem o risco de serem interrompidos pelos primos da moça, ou mesmo, Raven.

Evitavam se encontrar ali por ser um local mais exposto que os demais, contudo, havia algumas ocasiões em que precisavam estar plenamente sós.

Como naquela noite.

Ela estava protelando aquele assunto há pelo menos um bom par de dias. Ela sabia que não podia fugir, que era melhor Lucien saber por ela que por outros meios.

Entretanto, ela sabia que não seria fácil tampouco indolor.

Ao mesmo tempo que a ruiva suspirou, passos, apesar de leves, ecoaram pelo recinto. Meridiana deu um leve sorriso quando seus olhos verdes se encontraram com as orbes bicolores de Lucien.

-Desculpe a demora, fräulein – ele disse, segurando-a em um abraço carinhoso, deixando que seus lábios bocassem os dela com toda a ânsia da saudade que a situação atual lhes impunha.

Meri deixou-se tomar por aquele beijo e tudo que o acompanhava, o calor, o cheiro, a simples presença de Lucien. Eram pequenos momentos como aquele que amenizavam as dificuldades da decisão que ela tomara.

-Não precisa se desculpar, meu amor – ela respondeu, enquanto passava delicadamente as mãos pelos cabelos longos e escuros do rapaz.

Lucien deu um meio sorriso, apreciando também a presença da sua ruivinha. Aqueles momentos também lhes eram os mais preciosos daqueles dias conturbados.

Ela lhe segurou mais uma vez o pescoço e aproximou seus lábios para um novo beijo, abraçando-o com tanta força que quase parecia um ato de desespero, como se aquela fosse a última vez em que se veriam. Aquilo não passou despercebido para Lucien.

-Algum problema? - ele perguntou assim que a moça o soltou, o rosto carregado de preocupação.
Meridiana mordeu os lábios, o hábito comum quando ela se encontrava verdadeiramente nervosa, o que tornou Lucien mais apreensivo.

-Sim – ela confirmou, sem contudo, ter coragem de encara-lo nos olhos. -Meu tio deu notícias... ele mandou um enviado e instruções para mim...

Lucien pegou as mãos de Meridiana entre as suas para passar forças para a namorada, de modo que tornasse a ela mais fácil lhe contar o que ocorrera, contudo, toda aquela gentileza a deixava quase culpada pelo que iria contar.

-Ele mandou Jarno di Camposanto – ela continuou, ainda sem ousar encará-lo - com uma proposta de noivado para mim. E eu aceitei.

As mãos do rapaz soltaram-se das da ruiva com rapidez quase ríspida, contudo não houve uma palavra vinda dele, o que fez com que a grifinória finalmente levantasse os olhos para encará-lo.

O lufano estava lívido, mesmo em meio à semi- escuridão do lugar, Meridian podia ver uma coloração avermelhada se sobressair no rosto do namorado.

-Você está brincando, não? - ele finalmente falou, a voz baixa e contida.

-Não... eu não poderia negar o pedido, entende? Eu preciso que Ludovic acredite que eu me submeti a ele apesar de ter fugido. Se eu não aceitasse a proposta, nenhum dos nossos esforços atuais seriam válidos...

O rapaz meneou a cabeça, racionalmente ele conseguia compreender as razões da namorada, mas
havia tantos e tantos motivos para não aceitaraquela situação, afinal, ele era humano e passível de emoções como qualquer um.

-Eu não gosto disso, Meri. Absolutamente não gosto.

-Você não confia em mim?

-Confio, fräulien. Não confio é em Camposanto, e você sabe que eu tenho razão, especialmente depois do modo como ele te abordou na festa dos Star ou brincou com a minha irmã nas férias de verão retrasado . Ele demonstrou o tipo de canalha que ele é mais de uma vez.

-Eu sei me cuidar, Lucien – ela retrucou, de modo firme, tentando passar segurança para o namorado.

-Sei que sim – ele assentiu, puxando-a para próximo de si de forma quase possesiva.

“Sei que sabe” , ele reafirmou mais uma vez para ele mesmo, enquanto mantinha a ruiva em seus braços, “mas não sei se vai ser o suficiente contra aquele crápula. E eu prometo, mesmo que você não queira, fraulein, que eu vou estar sempre por perto para te defender”.



Quarta-feira, Novembro 11, 2009



Sam e Lusmore by Dani



Sam e Lusmore by Dani


Aqui vai um desenho novo (que até agora eu não consegui descobrir de onde tirei tempo para fazer). Esse é um desenho da Sam com o Lusmore de brinde. Ela foi super fácil de desenhar, por já tê-la feito antes (embora menor) no desenho do layout, o Lusmore deu um pouco mais de trabalho pois queria que ele tivesse mesmo aquela cara de "garoto galante" que imagino que ele tenha, e queria que os dois combinassem no desenho, mas acho que atingi o resultado. A idéia original era só a Sam, mas, inspirada pelas últimas fics, decidi colocar os dois.



Segunda-feira, Novembro 09, 2009



A primeira detenção


- Então, como vocês podem observar o cálice não sofreu nada, isso porque ele tem de permanecer intacto até que alguém o toque. Agora vejam. – A professora McGonaghal estava ensinando aos alunos como multiplicar objetos inanimados através do toque. Ao tocar no cálice de cristal, instantaneamente, outro idêntico a ele apareceu.

- Agora quero que vocês peguem qualquer objeto da sala e tentem o mesmo.

Visivelmente os alunos estavam entediados com aquela aula; McGonaghal sempre trazia coisas interessantes, era uma das poucas aulas que Darien e Jamal tinham prazer em ir assistir.

- Srta. Marcy, vejo que está com esse escudo de ferro. Pois bem, é só pronunciar o encantamento tocando de leve no objeto.

Era um encantamento de pronúncia e movimentos simples, bastava girar a varinha em sentido anti-horário e desenhar no ar um losango, e com cuidado tocar no objeto. E pronto, pronunciar Multiplendus. A cada toque que o objeto levava, um outro idêntico a ele apareceria.

- Acho que a professora está tirando com a nossa cara, Jamal. – Darien olhava desconfiado para os olhos castanhos do amigo.

- Não creio que seja isso, acho que este feitiço realmente faça parte dos ensinamentos do nosso nível.

- Sim, isso no início dos tempos...

Os dois fizeram o feitiço com bons resultados, Darien havia se apoderado de um castiçal e Jamal do seu próprio livro. McGonaghal ainda falava quando subitamente um aluno, que Darien não descobriu quem, começou a se atrapalhar e o feitiço acabou resultando num desastre. Ao ser tocado, o prato que havia sido enfeitiçado multiplicava-se para mais três objetos.

- Quando isso acontecer, ou quando estiverem em alguma situação em que possa causar-lhes a morte, basta fazer o processo inverso.

A professora fez o que tinha dito, no sentido horário e formando o mesmo losango de antes. O encantamento era também fácil de dizer.

- Únicus!

O prato dourado com bordas acobreadas havia dado um forte estalo, e repentinamente, todas as outras réplicas se juntaram ao prato, deixando apenas um em cima da mesa.

- Que saco! – Dessa vez Darien falou tão alto que alguns alunos que estavam no fim da sala puderam ouvi-lo.
- Com sua licença, Sr. Semog? O que foi que o senhor disse?

- Que a aula de hoje está um saco, Professora!

Os alunos arregalaram os olhos, Jamal inclusive, nunca viram um aluno ser tão direto com um professor, nem nos tempos mais chatos de Dolores Umbridge. Inclusive se tratando de um dos alunos mais calmos da escola.

- Garanto que o senhor tenha algo de melhor então que possa ser ensinado...

- Não tenho, não! Mas ao menos eu pensaria que pudéssemos estar fazendo algo de bom, ao invés de um feitiço idiota e básico como esse, Professora! Algo que possa ser útil quando enfrentássemos o perigo. Tomar um lado nessa guerra, e não ficarmos olhando os nossos inimigos sentados em nossos lares...

- Basta, Sr Semog. - a professora respondeu, séria como sempre, arqueando a sobrancelha.- Tudo o que estou fazendo é sempre colocando meus alunos em primeiro plano.

Realmente o cerco estava aberto, os alunos olhavam de uma Minerva, aparentemente dona de si, apesar de um discretissimo tremor de lábios traí-la, e avermelhada a um Darien também rubro que a essa altura já estava de pé em frente à professora.

Darien fez que iria falar algo, mas o tempo não foi suficiente para ele, Minerva não queria se expor, todos sabiam, mas deixar que um aluno a dissesse que ela estava conivente com os comensais na escola, não deixaria.

-... e com a morte do Professor Dumbledore, pensei que a senhora fosse...

- Silentium! – Minerva preferiu acabar com aquelas acusação rápido, antes que o aluno ou ela pudessem correr riscos por falaram coisas além. – Sr. Semog, ouça atentamente, esta é a segunda vez que preciso usar um feitiço contra um aluno meu, e é para o seu bem. Está de detenção, mas antes, o seu amigo irá acompanhá-lo até a ala hospitalar.

Com isso, Jamal fez que sim para a professora, ainda atordoado.

- Agora dadas as circunstâncias, aula terminada!!!

Os alunos ainda permaneceram ali sentados, desacreditados com o que viram. Nunca pensaram que algum aluno pudesse tratar a professora de transfiguração tão rudemente como Darien o fizera. A professora precisou falar umas duas ou três vezes a mais para que os alunos saíssem de sua sala.

Antes que pudesse dar conta de si, Jamal se viu em meio ao corredor com alguns olhares abobados para ele. Darien tinha os olhos arregalados e lacrimejantes, sua boca parecia ser uma pele só, os lábios haviam sido grudados um ao outro tão forte que o garoto sentiu uma forte dor ao tentar abri-la.

Seguiram à ala hospitalar da escola, Madame Pomfrey ao ver o garoto soube exatamente do que se tratava.
- Justo você! Faltando com respeito com Minerva!? Darien algo de muito sério você deve ter dito, Minerva nunca usaria um feitiço contra um aluno. A última vez que isso aconteceu algo muito sério havia sido dito contra Dumbledore! E isso faz mais de dez anos!

- Madame Pomfrey, que feitiço é esse?

- É um feitiço emudecedor, ele cria uma pele entre os lábios impedindo que o enfeitiçado pronuncie qualquer som que seja. O problema será quando eu remover essa pele.

Dizendo isso, a enfermeira procurava num grande armário por alguns abafadores auriculares.

- Coloque isso e não os remova até que eu mande fazê-lo.

E com uma destreza perfeita, impecável e ágil, a enfermeira fez movimentos leves e desenhados pelo ar. Darien abria os olhos, piscava-os duas vezes, e ia de Jamal a Pomfrey. O garoto tremia, a enfermeira começou a pronunciar palavras inaudíveis e subitamente Darien deu um forte grito tão alto que nem os próprios abafadores conseguiram fazer com que Jamal e Madame Pomfrey não demonstrassem incômodo ao ouvir.

- Procure não falar nos próximos 30 minutos. Afinal, em três segundos você pronunciou quase uma hora de conversa.

Agora Jamal pôde entender o porquê dos abafadores, os gritos estranhos que Darien fez eram, na verdade, coisas que ele havia desejado continuar falando para a professora, porém o feitiço silenciador o impedira.

- Podem ir andando. E Sr. Semog, não ouse tirar Minerva do sério novamente... Sabe Merlim o que ela poderá fazer, possivelmente transformá-lo num pufoso durante semanas.

Darien e Jamal seguiram para o dormitório, embora quisessem falar alguma coisa, tanto um quanto o outro, não conseguiram. Darien, ainda amedrontado, seguia a orientação de Madame Pomfrey, e Jamal apenas pensou que o amigo não gostaria de ouvir nenhum outro comentário a respeito do ocorrido.

Chegando a seu quarto, Darien pôde ver que um pergaminho estava em sua cama; possivelmente vinha da Professora Minerva. O garoto tratou de abri-lo, e sim ali estava a detenção. Darien teria uma semana inteira junto à professora. Qual seria o castigo era o que o menino queria saber; depois de tudo, ele pensou e realmente concluiu que a professora não merecia tal ofensas.



Quinta-feira, Novembro 05, 2009



Darien amanheceu com febre , preferiu não descer para a ala hospitalar por aquele momento, desejava apenas beber alguma coisa; por vezes sentia fortes dores nas costas, o que era comum ao garoto quando gripava. Lembrou-se do dia anterior que ele, junto a Jamal, ficaram ao relento da noite, ainda não havia neve, mas o vento frio soprava forte.

Enquanto se arrumava para descer para o café da manhã, reparara que não havia mais ninguém no quarto, com isso percebeu a hora; estava atrasado,novamente. As aulas daquela quarta-feira eram legais, ao menos não teria de escutar a voz de nenhum dos irmãos Carrow.

Vestiu as vestes negras com o brasão de sua casa, colocara novamente os óculos, pois preferira por não usar as lentes hoje. Saiu de seu quarto com menos material do que o habitual, o rapaz não garantiria a ninguém que pudesse conseguir assistir as aulas restantes. Seguiu em direção ao salão comunal da escola sem nenhuma dificuldade, olhava pelos corredores e nada, nem ninguém por eles.

Chegando ao salão, poucos alunos havia ali, seus olhos ardiam um pouco, devido à febre. Sentou-se na mesa da Corvinal e respirou fundo, até que se tomou de um pouco do suco que ainda restava na jarra. Não demorou muito, alguns monitores passaram pelo salão encaminhando os alunos atrasados para as suas aulas, inclusive Filch que a essa altura e ainda acompanhado de sua gata observavam atentamente a todos.

Antes que pudesse ser chamado a atenção, coisa que o cabelo azulado odiava ser, Darien pegou seus pertences e caminhou em direção à ala hospitalar; as dores em sua cabeça mais pareciam pontadas de mil facas.

- Madame Pomfrey!? – Bradou o garoto da porta do que parecia um ambulatório; alguns quadros com velhas enfermeiras de Hogwarts, vestindo o mesmo uniforme que M. Pomfrey, algumas ataduras espalhadas em cima de uma mesa repleta de pergaminhos por finalizar e manchados por algum líquido esverde-azulado.

O cenário parecia e muito com um pandemônio num hospital comum. Madame Pomfrey apareceu em seguida, os olhos arregalados e ofegava bastante.

- O que foi, Sr. Semog?

- Eu não estou muito bem hoje, talvez eu esteja gripado ou coisa parecida. A senhora teria algum remédio ou algo que possa fazer para essas dores de cabeça e febre que sinto passem logo?

- Francamente! Eu tenho coisas mais sérias. – Soltou a enfermeira, procurando em um armário de madeira envelhecida e de prateleiras de vidro vermelhas alguns frascos; Darien conseguira contar três deles. – Tome dois desses a cada 6 horas e fique de repouso por hoje. Eu mesma entregarei uma carta ao Professor Flitwick. Para o seu quarto direto!
- Obrigado! Eu... – antes que pudesse agradecer, a enfermeira sumira de sua frente. Darien apenas pôde ver, ao longe, quando Pomfrey abriu a porta que dava aos leitos, alguns pares de pés, dentre eles, o do Professor Slughorne. Provavelmente algum aluno havia se machucado ou bebido de alguma poção que o colocasse em algum estado lamentável, visto a aspereza de madame Pomfrey.

Seguindo para o seu quarto, conforme lhe fora ordenado, o menino pensou em como seria bom, nessas horas, doente, em ter alguém ao seu lado para cuidar dele, ou ao menos fazer-lhe carinhos na cabeça. Com isso, lembrou-se da gravidez da mãe. Há quase um mês ela o havia escrito dizendo da gravidez, e o menino nem a havia retornado uma carta decente...

Passando por alguns corredores para chegar às escadas que o levassem de volta à torre da Corvinal, Darien viu alguns alunos andando a esmo, parecidamente com ele. Não parou para perceber bem o que faziam ou o que falavam; naquele momento apenas pensou em deitar na cama novamente, e ficar por ali até que melhorasse.

Acordou suando frio, e com a testa mais molhada do que a janela do seu dormitório estava pela chuva que caía lá fora. Nenhum dos seus companheiros estava no quarto ainda e pela rara iluminação que entrava no quarto, Darien percebeu que já anoitecia. Devia ter dormindo quase oito horas.

Continuou pensativo, relembrando do passado presente que vivia. Das férias, e do amargo doce de estar em Hogwarts. Vivia feliz, sim, vivia; mas as novas regras e atitudes o afrontavam.

Levantou-se da cama, pegou um pergaminho que estava na mesinha de Bruce, e começou a escrever, sem nem pensar sobre o quê, apenas escrevia.

A iluminação de todas as torres estavam amenas,
Amenas em vozes surdas e tristes.
Com os sorrisos de alguém que vivia
Por ela, por ele, por nós...

Grandes soluços, pequenos sussurros,
Sorrindo, navegando, em um vendaval de momentos
Que não deviam existir,
Mas preenchiam o espaço da solidão.

Jaziam as flores negras e púrpuras
Sobre o prateado luar do amor,
A amizade, enfim, esta dura
Mesmo que sem louvor.

Salientava um sorriso, almejava, sim!
Procurava por caminhos diferentes
Sem que houvesse guerras, brigas.
Utópico, sempre seria, aquele sonho
De um pequeno menino.


Leu o poema e percebeu que ele vivia aquilo, intensamente. Escutou passos do lado de fora do quarto, eram Bruce, Jamal e Cris, um secundarista que se mudara para o quarto deles. Pelo visto voltavam do jantar, e o menino azulado sentiu o vazio da barriga doer ao se lembrar da comida.

- Darien! Perdeu a aula de hoje! O que você teve? – Bruce bradava enquanto ia em direção a sua cama.

- Eu não me sentia bem, sei lá o motivo. – Disse olhando de relance para Jamal, com quem havia ficado toda a madrugada junto, no frio. – Mas o que teve de importante na aula, já que eu perdi?

- Ah, o de sempre, só que dessa vez um daqueles alunos da banda podre – Certamente, Bruce falava de alguns alunos sonserinos de famílias, digamos, diferentes. – se deu mal durante a aula de Slughorne. Eu nunca tinha visto o professor tão louco como hoje.

- Mas hoje não seria aula dele!

- Eu sei, - Interveio Jamal. – Mas parece que o professor Flitwick estava ajudando na ala hospitalar, um aluno se machucou feio numa das detenções dos Carrow, e por isso não pôde dar aula para nós.

- Ei... – Darien fez-se pensativo. – Eu estive na ala hospitalar e confesso que Madame Pomfrey estava bastante desestabilizada, e mais nervosa do que o normal dela.

Os rapazes ficaram se perguntando sobre quem deveria ser o aluno e o quê deveria ter feito para que sua detenção fosse tão grave a ponto de deixá-lo muito mal. Cris interveio e confessou que se tratava de um menino da Grifinória, do terceiro ano, nada mais além disso.

Darien perguntou ao grupo se o jantar já havia terminado.

- Nada! Quando saímos de lá, alguns professores ainda estavam se dispondo à mesa. Dá tempo ainda de você ir, só não vá querer se arrumar todo, vá com essas vestes mesmo, só coloque o sobretudo por cima.

E Darien seguiu o conselho do melhor amigo. Pegou as vestes corvinais, e seguiu rumo ao salão principal. Pensou, enquanto caminhava, nos versos escritos por ele, em sua mãe, em seu irmão, em Jamal... Na escola.

Salientava um sorriso, almejava, sim!
Procurava por caminhos diferentes
Sem que houvesse guerras, brigas.
Utópico, sempre seria, aquele sonho
De um pequeno menino.





Quarta-feira, Novembro 04, 2009



RETORNO D (HIATUS forçado 2009)


Olá, pessoas.

Antes de mais nada, eu quero encarecidamente pedir desculpas a vocês por esse longo e forçado hiatus que tivemos de suportar. Foram quase dois meses de ausência e eu realmente sinto muito por isso. Mas, às vezes, a vida real tem um certo jeito de virar tudo de cabeça para baixo, de nos jogar sem aviso no olho do furacão e, quando vamos perceber, o caos já está instalado.

Não vou dar mais desculpas, porque parece que é só isso que fazemos nos últimos tempos. Esse tempo que se passou foi algo como uma espécie de período de adaptação para todos nós e eu espero sinceramente que ele tenha sido o suficiente para que achemos nosso pé e consigamos equilibrar nossas vidas pessoais com nosso prazer pela escrita.

Quero agradecer a todos pela compreensão, carinho e respeito que tiveram conosco. Por terem entendido que apesar de amarmos o que fazemos - e amarmos vocês pela companhia e pelas respostas que nos dão - nem sempre podemos agir irrestritamente nessa vocação.

Sim, porque todos nós, da equipe Crimson Mark, somos antes de tudo, escritores. Temos alma de escritor - e digo isso sem me dar ao trabalho de falsa modéstia. Amamos acima de tudo aquilo que fazemos e, sempre que nos afastamos um pouco disso, ficamos meio que perdidos sem saber o que fazer.

Fica então aqui as nossas desculpas e o nosso muito obrigado. E agora, vamos parar de choradeira, que já deu tempo de arrumar a casa e botar essa 'budega' para frente. Sem mais delongas, eu lhes apresento uma música comemorativa felita pela Isis-Kai Li com a melodia da abertura de Shurato

Abraços, Lulu Mina Sempai

O grupo Crimson Mark voltou
nem todo esse carma evitou!
Ô, azar...
um adeus pra você!

O Expresso vai voltar
assim que a Ana puder postar
as saudades
vocês já vão matar

O Rapha seus textos adiantou
a Lucilla os seus atualizou
e a Selhe
há tempos
que os dela terminou

É o retorno
nosso
o grupo vai voltar
nesta semana
a começar
é motivo
sim
para celebrar
pernas
para o ar!

Vamos por menos problemas
rezar!

Em Amaterasu há muitos desenhos
que o Rubem já elaborou
e capítulos
que a Régis
revisou

a Juju trabalhando "non-stop"
arranjou um novo servidor
pôs um fim
no hiatus do terror

Os planos a Lulu já aprovou
e a KaiLi já os revisou
Anaclara
traduziu
finalmente a coisa andou!

Demorou
mas'acabou
a espera terminou
não há mais
zumzumzum
a partir de
hoje
os roteiros
continuam
um a um

Poremos um fim
no jejum!

Em New Dawn o ritmo é mais lento
foi o último a chegar
chama a Débora
já o vamos retomar

Tem gente em
dois
e às vezes em
ma-is,
pois
só tem doidos
nesses
trocentos projetos
que tentamos
tocar

poderemos enfim
postar!

É retorno
hoje
Crimson Mark hoje
voltou!
É retorno
retorno
hoje é dia de
retorno
hoje
Grupo Crimson Mark...
voltou!


No Expresso, voltamos definitivamente com as novas histórias amanhã, quinta. Em Amaterasu, vocês ficam com um novo capítulo de Madrigal e em New Dawn, estamos trabalhando para alguns presentinhos



Segunda-feira, Setembro 21, 2009



O Dia Seguinte ~ Parte 2


Isaac se sentou na bancada da cozinha, enquanto Herman, após depositar sua caneca de café no balcão, servia outra para Cyan. Apenas quando os dois estavam servidos é que Mercury se sentou diante do loiro, em silêncio, esperando que Isaac lhe desse alguma deixa para que pudessem começar a conversar.

Não precisou esperar muito. Os olhos verde-água se fixaram sobre ele, absolutamente francos. Aquela era uma característica bem própria de Isaac; exceto, talvez, pela história com Mina, ele sempre fora franco em seus pensamentos e sentimentos.

- Você pode perguntar, Herman.

O moreno assentiu para si mesmo, decidindo usar com Isaac a mesma franqueza que ele demonstrou.

- O que está acontecendo entre você e Clio?

Isaac abaixou brevemente os olhos, os dedos passando pela coluna de sua caneca, aquecendo-se com o calor desprendido da beberagem contra a cerâmica.

- Nós estamos... juntos. Por assim dizer. – ele respondeu, voltando a levantar a cabeça – Eu não esqueci a Mina, se isso te interessa de alguma forma.

- Eu não entendi o que você quis dizer. – Herman falou, meneando a cabeça.

Isaac suspirou brevemente.

- Não é algo de que eu me sinta particularmente orgulhoso. Tanto eu quanto ela temos outras pessoas com quem nos importamos, pessoas de quem fomos separadas pela guerra... e por elas mesmas. – ele ficou em silêncio por alguns instantes, apenas observando a bebida em sua caneca – Não sei dizer o que seja esse sentimento, Herman. Você tem Lorelai e, não importa o que aconteça, você está lutando para voltar para ela. Eu não... Mina não gosta de mim. Não como eu gosto dela, de qualquer maneira.

Herman soltou um suspiro quase resignado, embora ele discordasse de Isaac no que dizia respeito aos sentimentos da domadora em relação ao amigo, ele sabia que não possuía nenhum argumento concreto para convencer Isaac do contrário, não quando a própria Mina, diversas e diversas vezes, deu motivos para que Cyan acreditasse que ela nutria pelo loiro nada mais que amizade.

E, mesmo que assim fosse, que diferença faria naquele momento? Mina estava nas Hébridas, completamente alheia ao que estava acontecendo ali. E eles... eles podiam simplesmente morrer no dia seguinte.

- Eu entendo... – ele respondeu – Não digo que aprovo ou concordo com a decisão de vocês, mas entendo, e não vou me intrometer na relação de você e Clio, a não ser se você quiser algum conselho. Contudo, não posso dizer o mesmo do resto do pessoal. Mahala viu vocês e saiu um tanto quanto carrancudo e a Sam... bem, talvez ela não fale nada, mas, sei que ela não vai gostar.

O ex-corvinal balançou a cabeça.

- Posso entender Samantha, mas não sei se Mahala tem direito a dizer alguma coisa. – ele estreitou ligeiramente os olhos – Obrigado por não julgar, Herman.

O moreno deu um pequeno sorriso, colocando a mão no ombro do amigo.

- Não há de quê, Isaac.

O jovem Cyan respondeu com um sorriso próprio. O que estava acontecendo ali agora certamente teria alguns desdobramentos não muito agradáveis, mas era bom saber que ao menos podia contar com alguém. Que podia ter em Herman um amigo e confidente que o ouviria sem julgá-lo.

Fosse o que fosse que o futuro reservava a eles, ele não esqueceria aquela prova de amizade.




Sexta-feira, Setembro 18, 2009



O Dia Seguinte ~ Parte 1


O dia amanhecera mais rápido do que Herman desejara. As últimas noites haviam sido mal dormidas e repletas de pensamentos frustrados, um sentimento que parecia reverberar por quase todos os integrantes da casa.

Contudo, ele havia combinado com Lusmore de começarem a treinar logo cedo, havia muito o que aprender, muito o que aprimorar. Se ele quisesse ver novamente sua família, se ele desejasse novamente ter Lorelai entre seus braços, ele deveria se esforçar para ajudar a terminar aquela guerra o mais rápido possível.

Herman espreguiçou-se, erguendo os braços à frente do corpo. Os olhos se fixarem na aliança dourada, um sorriso triste de saudades passou por seus lábios e ele pensou consigo o quanto ansiava que Lore estivesse bem em Hogwarts.

Sem mais delongas, ele se levantou, vestindo-se rapidamente, dirigindo-se para a saída do quarto. No corredor, acabou por encontrar Lusmore que, apesar da hora, parecia muito bem disposto.

- Bom dia, Mercury. Já decidiu por onde vamos começar o treino?

- Uáaaa – o grifinório bocejou – Bom dia, Mahala... ainda não pensei nisso... na verdade, minha primeira resolução do dia é tomar uma xícara de café preto para despertar direito... depois disso, podemos ver juntos por onde começar.

O bardo assentiu enquanto os dois cruzavam os umbrais que davam acesso à sala de estar, por onde precisavam passar antes de ir para a cozinha. Herman deu mais um bocejo antes de perceber que o outro rapaz havia cessado de caminhar. Demorou um pouco para ele perceber o que levara Lusmore a parar.

Mercury piscou algumas vezes antes de discernir completamente as duas figuras que repousavam no sofá da sala. Isaac estava com a cabeça recostada no braço do sofá, enquanto uma das gêmeas, que Herman desconfiou ser Clio, dormia encostada no peito de Cyan.

Ele se voltou brevemente para o bardo, notando a expressão sombria que o outro usava. Lusmore, contudo, não disse nada, apenas deu as costas à cena, voltando-se para a porta.

- Eu vou dar uma caminhada enquanto você toma seu café, Mercury.

Havia qualquer coisa de dura no tom com que o bardo falara, diferente da maneira geralmente tranqüila e bem-humorada de Lusmore. Sem esperar uma resposta, o rapaz deixou a casa, batendo ligeiramente a porta, mas não forte o suficiente para acordar o casal no sofá.

Herman dirigiu-se para a cozinha, para preparar o café para si, precisava estar um pouco mais desperto antes de tomar qualquer atitude. Pelo comportamento de Mahala, ele intuiu que não deveria esperar uma reação muito agradável por parte de Sam também, afinal, Mina era uma das melhores amigas dela.

Ele, por outro lado, preferia conversar com Isaac antes de tomar qualquer posicionamento. Por mais que visse Mina quase como uma irmãzinha caçula, as coisas entre ela e Cyan sempre foram complicadas demais para que ele pudesse julgar sem nenhuma ressalva.

Herman colocou o líquido escuro e fumegante em uma caneca, sorvendo um gole revigorante da bebida. Ele dirigiu-se novamente até a sala, talvez fosse melhor que os demais membros da casa descobrissem sobre o que quer que estivesse acontecendo entre Isaac e Clio quando todos os envolvidos estivessem completamente despertos.

- Isaac. – ele cutucou de leve o rapaz adormecido – Melhor vocês acharem um lugar mais confortável para dormir, daqui a pouco vão todos acordar.

O loiro abriu os olhos devagar, Clio ainda completamente alheia ao resto do mundo contra seu peito. Piscando algumas vezes, ele observou o outro se aprumar em pé, antes de finalmente fazer sentido do que estava acontecendo.

Com extremo cuidado, ele se desenroscou da garota, depositando a cabeça dela sobre uma das almofadas, pondo-se em pé e esfregando os olhos por alguns instantes, antes de se voltar para Herman.

- Que horas são?

- São seis e meia. - Herman respondeu.

Isaac assentiu, encarando por alguns instantes a janela através da qual o sol começava a surgir.

- Talvez seja melhor transferirmos a conversa para a cozinha. – ele observou – A propósito, a luz queimou ontem de noite.

- Eu troco ela mais tarde. – o moreno respondeu, abrindo passagem para o outro rapaz.



Quarta-feira, Setembro 16, 2009



Futuro e Presente ~ Parte 2


- Acho que vou pedir um emprego para você qualquer hora dessas. Mas agora que já pensamos sobre o futuro, vamos falar um pouco sobre o presente. Eu trouxe algumas coisinhas para você. Tinha pensado em começarmos nosso treinamento hoje, mas, já que você está de cama...

- Holly me disse que isso vai passar. Eu vou ter crises de vez em quando, mas não será sempre. Eu vou precisar me cuidar, fazer uma dieta, cortar coisas muito gordurosas do cardápio... – Mina suspirou – Lá se vão meus doces... Mas eu vou melhorar.

- Ótimo. – Elaine respondeu, levantando-se e se encaminhando até a porta, pescando do lado de fora um saco que deixara antes de entrar e voltando a se aproximar para despejar o conteúdo do saco diante da moça.

Mina arregalou ligeiramente os olhos, afastando-se minimamente na cama para não ser acertada por nada de potencialmente perigoso. E havia algumas coisas bem perigosas naquele saco.

- Em primeiro lugar... – Elaine continuou, separando as coisas e catando uma trouxa de roupas amarradas – Esse é seu uniforme como domadora. As calças e as blusas são de malha. E esse corpete... – ela puxou outra peça de roupa do monte de objetos – é de couro de dragão trabalhado. Vai protegê-la de muitas coisas. É quase como usar uma armadura, só que é bem mais leve que uma peça de metal.

- Possivelmente mais apertado também. – Mina suspirou – Porque um corpete e não uma capa?

- Porque o corpete é mais bonito. – Elaine sorriu, maliciosa – Agora, às armas. Sir Vincent me disse que você tinha tido o treino com arco. Então, vamos começar agora a lidar com bestas.

Foi Mina quem primeiro alcançou a arma, leve e fria, o metal negro, uma corda fina junto ao mecanismo de armar. Ela testou o fio. Era bem forte.

- As setas também são de metal? – Mina perguntou.

- São mais resistentes. E você não acha realmente que um gravetinho de madeira conseguiria penetrar no couro de dragão, não é? – Elaine respondeu – Mas tome cuidado com as flechas. E também com qualquer arma utilizada por um domador. Se você se ferir com uma delas, mesmo um pequeno arranhão, a ferida vai demorar para cicatrizar e deixará uma marca para o resto da vida.

Mina assentiu.

- Eu entendi. Vou tomar cuidado. – ela puxou uma longa espada, presa num cinto de couro, como o do corpete – Até onde tio Godfrey me ensinou, eu nunca ouvi falar de domadores usarem espadas.

- É simbólico. – Elaine respondeu – E fica bonito também.

A outra sentiu vontade de rir.

- Para quem? Até onde eu saiba, nunca ouvi falar de domadores capazes de seduzirem dragões...

- Eu nunca disse que era para ficar bonito para os dragões... – a loira retrucou, maliciosa.

Mina suspirou. Aparentemente, a prima era pior que Sam e Lore juntas. Onde ela fora se meter...




Segunda-feira, Setembro 14, 2009



Futuro e Presente ~ Parte 1



- Ei.

Mina levantou a cabeça, deparando-se com Elaine parada junto à porta. A garota se aprumou na cama, largando os joelhos, que, até então, estivera abraçando, ao mesmo tempo em que alisava os lençóis que a cobriam até a cintura.

A loira sentou-se na ponta da cama, observando a moça.

- Soube que você estava doente.

- É o que parece. – Mina respondeu, suspirando.

Elaine continuou a encará-la, pensativa, antes de continuar.

- Hiram, Holly e seu avô pareciam estar discutindo lá embaixo sobre o que fazer com você. Hiram queria que você tivesse repouso absoluto e fosse poupada de qualquer tipo de aborrecimento.

- Ele quer que eu definhe de tédio então. – Mina respondeu com a voz cansada.

Elaine suspirou.

- O que você tem, Mina? Digo, realmente, o que está sentindo?

Mina a encarou com os olhos sem brilho. Ainda se sentia ligeiramente zonza e enjoada, mas depois de um banho frio, seu corpo parecia começar a reagir. Ela estava pálida, os lábios quase sem cor; as mãos úmidas e o corpo dolorido. Ficar sentada pressionando a barriga era a única posição em que conseguia sentir algum alívio.

Mas não era aquilo que Elaine queria saber e Mina compreendera isso instantaneamente. Por alguns instante, a jovem apenas guardou silêncio, pensando em tudo o que acontecera nos dois últimos meses, na falta de notícias, na maneira como se sentia tão absolutamente...

- Inútil. – ela respondeu finalmente – Eu estou me sentindo uma inútil, presa aqui sem ter notícias de nenhuma das pessoas com quem me importo quando, na verdade, voltei do Japão exatamente por causa delas. Tio Godfrey sumiu, Lusmore foi embora, estamos completamente alheios ao que está acontecendo lá fora...

Elaine colocou uma mão sobre o ombro dela, sorrindo.

- Você não é uma inútil, Mina. Está indo muito bem ajudando na vila... E as pessoas precisam de você lá. Além disso, você não é a única que espera por notícias, por algum sinal de vida, qualquer coisa.

- Eu sei disso, mas...

- Ficar chafurdando na auto-comiseração não vai levar você a nada. – Elaine a interrompeu, séria – Em vez disso, porque em vez de ficar nesse estado lamentável, você não começa a imaginar e a planejar o que vai fazer quando estivermos livres de novo? – ela voltou a sorrir - Eu por exemplo, planejo tomar um porre homérico e, no dia seguinte, jogar uma mochila nas costas e passar os dois anos seguintes como andarilha, viajando pelo mundo todo.

Mina estreitou ligeiramente os olhos.

- Andarilha?

Elaine assentiu.

- Exatamente.

Um pequeno sorriso aflorou nos lábios da outra, enquanto ela refletia sobre as palavras de Elaine. A loira tinha razão. Assim, ela se esforçou para pensar em alguma coisa para responder.

- Eu... acho que vou começar fazendo uma grande festa. Tipo festa de arromba. Para virar a noite.

Elaine sorriu maliciosa.

- E daí vai beber todas, dançar até o sol raiar e arranjar alguém para dar uns amassos.

Mina olhou para a prima com um olhar desconfiado, o mesmo que, muitas vezes, usara com as amigas mafiosas.

- Nada de amassos.

- Hum... então, você é uma menina de respeito. – Elaine deu alguns tapinhas na cabeça dela – Muito bem. Então, nada de amassos. Mimi é para casar. Vamos arranjar um bom partido para você. Agora, continue.

- Eu preferiria que você não arranjasse nenhum bom partido para mim. – Mina respondeu.

- Então você prefere os bad guys?

- NÃO! – Mina meneou a cabeça veementemente – Eu só... Ah, deixa pra lá...

Elaine riu.

- Eu não sabia que era tão fácil deixar você sem graça. Isso é divertido.

- Você não é a única a pensar assim. – Mina respondeu, emburrada.

A loira sorriu, dessa vez mais gentil.

- Tudo bem... E depois da festa, o que você faria? Iria voltar para a escola? Viajaria comigo?

Mina meneou a cabeça.

- Eu não tinha pensado nisso, mas... Acho que eu não voltaria para Hogwarts. Eu ficaria aqui nas Hébridas. Continuaria meu treinamento. E, talvez... – o olhar dela caiu sobre a escrivaninha, onde alguns livros estavam amontoados – Acho que eu iria propor sociedade à Meri e ao Herman. Para abrirmos uma editora.

- Uma editora? – Elaine perguntou, surpresa.

Mina assentiu, mais segura agora.

- Sim. Eu abriria uma editora. Uma editora para poder começar um jornal. E ele iria se chamar “Olho do Grifo”.

- Parece que você já tinha seu futuro bem planejado. – Elaine observou.

A outra meneou a cabeça.

- Não. Eu me dei conta disso agora. Eu nunca tinha pensado muito a sério no que eu queria fazer... Mas eu gosto dessa idéia. Seria uma boa coisa para fazer.

Elaine assentiu, sorrindo.

Expresso no Scrap MTV


O Expresso Hogwarts apareceu no Scrap MTV. A estrela principal é o Robson Reis, autor do Crepusculinho, mas tem uma palhinha nossa por lá! Focalizando o layout com os desenhos da Dani.




Nota:O Aprendizes de Hogwarts está de volta e com VAGAS PARA NOVOS ESTUDANTES. Para mais detalhes, basta visitar: http://aprendizesdh.blogspot.com/



Sexta-feira, Setembro 11, 2009



A sombra e a noite – parte 2


 O choro de uma criança ecoava pelos corredores do solar, alto e pungente. O homem avançou mais alguns passos, mancando fortemente, até finalmente alcançar a maçaneta do quarto da neta.

 - Mina, o que aconteceu com...

 Vincent interrompeu-se no meio da sentença, observando Kieran na cama, soluçante, iluminado pela luz que vinha do banheiro, de onde vinha um outro choro, mais baixo e dolorido, seguido pelos sons de alguém passando mal.

 Com o coração palpitando, ele caminhou até lá, encontrando Mina debruçada sobre a pia, os cabelos pregados no rosto suado, onde não parecia haver uma gota de sangue – talvez porque o sangue dela estivesse, nesse instante, sobre a louça branca da bancada.

 - Mina!

 Ela se virou, encarando-o com os olhos embargados, mas, antes que pudesse falar alguma coisa, a ânsia voltou a engolfá-la. Assustado, o velho rapidamente voltou para o quarto, tateando até encontrar uma corda junto à cama.

 Aquilo não era usado há muito tempo; ele não se lembrava de ter visto sequer seus pais utilizarem as campainhas que chamavam os empregados. Entretanto, quando ele puxou, pode ouvir o som estridente vindo do andar de baixo – o quarto de Mina, afinal, ficava exatamente em cima da cozinha.

 Em seguida, ele voltou para o banheiro, puxando os cabelos da neta para trás com uma mão, e, com a outra, abraçando-a pela cintura. Pouco depois, passos irromperam à porta e ele ouviu a voz de Holly tentando acalmar Kieran antes de alcançá-los.

 - O que aconteceu? – ela perguntou, com o menino no braço, aproximando-se – São duas e meia da manhã, o que vocês...

 Os olhos claros da mulher se arregalaram ao ver o estado do banheiro e a palidez da garota. Vincent voltou-se para ela, enquanto Mina escorregava ligeiramente por entre seus braços, a cabeça agora encostada em seu ombro.

 - Mi, mi, em! – Kieran soluçou, estendendo uma mãozinha na direção da irmã.

 - Não, Kieran, Mina não está bem. – Vincent respondeu para o neto – Eu não sei o quê aconteceu, quando cheguei aqui, ela já estava assim.

 Holly assentiu, antes de estender Kieran para ele, amparando Mina no momento em que o homem segurou a criança.

 - Mina, o que houve? – ela perguntou baixinho, alisando os cabelos de sua menina – O que está sentindo? O que você comeu?

 - Está doendo. – ela murmurou com a voz abafada contra o peito da mulher – Está doendo há dias, mas hoje... É como se estivesse queimando, como se o estômago estivesse em carne viva... E eu estou enjoada. Eu sei que não tem mais nada lá dentro... Mas...

 Holly ficou em silêncio, refletindo. Há dias que Mina não estava comendo direito; até mesmo seus chocolates estavam sobrando na despensa, quando não teriam durado muito mais que o tempo da menina descobri-los.

 - Venha, eu vou lhe dar alguma coisa para passar a dor e o enjôo. – ela guiou a jovem de volta para o quarto, sentando-a na cama. Vincent tinha saído com Kieran que continuava, impaciente, a balbuciar pela irmã – Agora que já colocou tudo pra fora de uma maneira ou de outra, vai se sentir um pouco melhor.

 Mina apenas assentiu. Holly observou-a por alguns instantes, para em seguida deixar o quarto apressada. Vincent estava no corredor, tentando acalmar o neto mais novo.

 - E então? – ele perguntou.

 - Eu não acho que ela tenha comido nada estragado. Há dias que ela tem se queixado do estômago. Pode ser uma gastrite nervosa ou alguma coisa do tipo.

 - Eu vou chamar Hiram amanhã para dar uma olhada nela. E não me olhe com essa cara, Holly. Eu confio em você, mas depois de ver minha neta vomitando sangue, eu dou um jeito até de interná-la no St. Mungus se for necessário.

 - Vou procurar alguma coisa para fazê-la dormir agora. – Holly respondeu – Deixe Kieran com ela, ele vai se acalmar na presença da irmã, e talvez a acalme também.

 Vincent suspirou, antes de assentir. Holly então sumiu na direção das escadarias, enquanto ele voltava para o quarto da neta. Mina estava encostada na cabeceira da cama, abraçando os joelhos, o rosto mergulhado contra os braços.

 - Mia!

 Ela só levantou a cabeça quando Kieran engatinhou na cama até alcançá-la, apoiando-se com algum esforço nas pernas dela para ficar em pé.

 - Mia?

 Os olhos claros do irmão a encaravam, curiosos. Mina deu um ligeiro sorriso, enquanto ele estendia a mãozinha, tentando alcançar o rosto dela. Voltou-se então para o avô, que se sentara na beirada do colchão, observando os netos, a preocupação visível em sua face.

 - Eu vou ficar bem. – ela murmurou com a voz rouca.

 Mina percebeu Vincent apenas assentir, antes de voltar-se para Kieran, que tentava chamar sua atenção. Mas, ainda que os olhos dela estivessem fixos no irmão, ela não o estava realmente enxergando naquele instante.

 Alguma coisa acontecera aquela noite. E não era pela dor que sentia na barriga que sabia disso. E sim pela dor fina e aguda que atravessara seu coração no momento em que acordara e pulara da cama para o banheiro.

 Alguma coisa acontecera aquela noite... alguma coisa se quebrara dentro dela em resposta... e, talvez, se quebrara para sempre

Recado da Meri: Pessoas, queria agradecer muito, muito mesmo, pelo apoio, compreensão, e força que vocês nos deram, fiquei verdadeiramente feliz por ver tantos comentários aqui e no Amaterasu depois de tanto tempo de ausência. Me deu um novo ânimo! Valeu pelo presente!



Quarta-feira, Setembro 09, 2009



A sombra e a noite – parte 1



A parte mais estranha de uma insônia era quando, sem qualquer explicação aparente, abria os olhos em meio à escuridão, incerto se estava realmente acordado ou sonhando.

Por alguns minutos, ele permaneceu na mesma posição, observando o teto, enquanto ouvia a própria respiração, calma e ritmada em seu próprio compasso.

O sono não voltaria, por mais que ele quisesse. Há quase uma semana que não conseguia dormir direito, desde a noite em que tinham saído para resgatar os Hooper... e falhado.

A cena da família sendo levada pelos aurores ficara gravada em sua retina. A avó trouxa, os pais bruxos, as duas crianças e o bebê... E, enquanto eles eram trancados em um furgão negro, ele, Lusmore, Herman, Sam... Nenhum deles pudera fazer nada.

Detestava aquela sensação de impotência. E detestava ainda mais o fato de não poder fazer absolutamente nada sobre o assunto além de torcer para que, de alguma forma, aquela família estivesse bem.

Desistindo de continuar na cama, ele empurrou o lençol para o lado, puxando o roupão que estava sobre o estrado da cama e vestindo-o de qualquer jeito sobre o pijama, antes de alcançar o livro que estivera lendo mais cedo, guardado na gaveta da mesa de cabeceira.

Devagar, ele abriu a porta, passando para o corredor com os passos mais leves que podia fazer. Bastava um insone, não precisava sair acordando os outros – ainda que a idéia de ter alguma companhia não fosse de todo ruim.

Isaac seguiu então para a cozinha, colocando o livro sobre a mesa alta de cerâmica e voltando-se para a geladeira, quando uma voz fê-lo perceber que, ao final das contas, ele não era o único insone da casa.

- Olá, Cyan.

O rapaz estreitou ligeiramente os olhos, acendendo a luz e parando ao lado da geladeira. Apesar da lâmpada estar fraca – depois teria de ver com Herman para trocarem aquilo antes que ela queimasse – ele percebeu a figura de uma das gêmeas sentada sobre o banco alto na ponta da mesa.

Para tê-lo chamado de Cyan, aquela só poderia ser...

- Boa noite, Clio. – ele a cumprimentou de volta, abrindo a geladeira e puxando para fora a garrafa de água, depositando-a sobre a mesa – O que está fazendo por aqui às... – deu uma ligeira olhada no relógio sobre a porta - ...duas da manhã?

Ela deu um meio sorriso.

- Estava sem sono.

- E por isso você decidiu nos fazer uma visita no meio da madrugada? – ele questionou, puxando dois copos e servindo-os com água, antes de estender um para ela.

- Pensei que um de vocês pudesse estar acordado. – a loirinha deu de ombros – Lusmore, pelo menos, sempre foi de dormir quando o sol estava raiando.

- Aparentemente, então, ele mudou os hábitos. – Isaac retrucou, sentando-se à direita dela, começando a beber do seu copo.

Clio observou-o em silêncio por alguns segundos, antes de desviar o olhar para seu copo, os olhos escuros acompanhando os movimentos da borda de água contra o vidro. A luz piscou uma, duas, três vezes.

Os dois levantaram as cabeças para a lâmpada. Num último esforço, ela os mergulhou num brilho amarelado, para depois apagar completamente, deixando-os na companhia apenas do fraco luar que penetrava pelas janelas atrás deles.

- Cyan...

Ele voltou a atenção para ela, percebendo que Clio ainda brincava com seu copo, sem olhar diretamente para ele. A postura dela naquele momento estava muito diferente daquela com que eles tinham se habituado a enxergar as gêmeas – espertas, atrevidas e senhoras de si.

De certa maneira, aquilo o fazia se lembrar de uma outra jovem, numa outra época. Por mais clichê que pudesse soar, parecia fazer anos que tudo tinha acontecido... Numa outra vida, com outra pessoa, quem sabe?

- O que foi? – ele perguntou de uma maneira bem mais suave da que vinha tratando Clio desde que ela praticamente se jogara nos braços dele, duas semanas depois dele ter chegado ali.

- Eu sinto muito pela maneira como eu agi antes. – ela murmurou.

Foi a vez de Isaac desviar o olhar para seu próprio copo, um tanto incomodado pela sinceridade dela. Apesar disso, ele apenas meneou a cabeça, dando um ligeiro sorriso para Clio.

- Não se preocupe com isso.

Clio riu de leve, depositando o copo sobre o balcão e aninhando o rosto sobre as mãos postas em concha.

- Você se parece mais com ele do que eu pensei a princípio.

Voltando mais uma vez a fixar sua atenção sobre ela, Isaac estreitou ligeiramente os olhos.

- Ele?

O olhar de Clio perdeu-se em algum ponto além do companheiro, como se ela procurasse qualquer coisa, um resquício do passado, um sorriso, um breve lampejo de luz.

- Uma pessoa. – ela respondeu finalmente – Alguém que era importante para mim.

- Você não precisa dizer se não quiser. – Isaac observou, abaixando a cabeça. Os tempos que Clio usava estavam no passado e ele não tinha muita certeza se queria ouvir o que acontecera com a pessoa de quem ela falava – Eu sinto muito pela sua perda.

Ela riu de leve e, para surpresa de Isaac, colocou uma mão sobre a dele, encarando-o de maneira quase afetuosa.

- Ele era tão formal quanto você. Um pouco menos gentil, contudo. E bastante cabeça dura. Quando a guerra começou... ele disse que éramos muito diferentes. Que eu deveria deixar de procurá-lo porque estava me arriscando muito. Desde esse dia... – ela suspirou de leve, soltando-o – Embora eu saiba onde ele mora, embora às vezes freqüentemos os mesmos lugares, conversemos com as mesmas pessoas... Para ele, é como se eu não existisse.

- Ele é um idiota então. – Isaac se viu respondendo.

Clio voltou a colocar o rosto sobre as mãos, pensativa.

- Talvez. Ou talvez ele tenha razão. Nós somos mesmo diferentes... – ela deu um sorriso triste – São efeitos colaterais de uma guerra. Ela nos separa, nos machuca, nos enlouquece... Perdemos a sensação de certo e errado por não sabermos aonde nos levará o amanhã. E somos perseguidos por uma carência que nunca termina, por uma solidão que nunca diminui...

Isaac a encarou, sério.

- Você também me lembra uma pessoa. Só que, ao contrário da sua história, eu não tenho como vê-la, nem saber notícias dela. Não sei se ela está bem, se está comendo... – ele deu um ligeiro sorriso para si mesmo, abaixando a cabeça – E nunca pude saber o que ela sentia por mim.

- Bem, parece que a sua pessoa é mais idiota que a minha. – Clio observou, marota – Brincadeiras à parte, Cyan, você é do tipo que temos de agarrar e não soltar nunca mais.

Ele deu um meio sorriso, meneando a cabeça.

- Eu acho que ela não concordaria com você, Clio. Não exatamente por achar o contrário, mas por outros motivos... Em alguns pontos, ela é uma criança ainda. Em outros... Eu diria que é muito auto-suficiente. Apesar de tudo, eu não pude deixar de admirá-la.

- Deve ser uma garota muito especial. – Clio observou – Você realmente gosta dela, não?

- Eu não sei se vou voltar a encontrá-la algum dia. – foi a resposta dele.

Clio observou o rapaz se levantar, levando o copo vazio para a pia. Por algum tempo, os olhos dela se perderam na linha dos ombros de Isaac, até que ela mesma se levantasse, aproximando-se e parando logo atrás dele.

Isaac se virou devagar, encarando-a com uma face sem expressão, os olhos claros ligeiramente opacos. Com delicadeza, ela apoiou uma mão sobre o ombro dele, encostando a testa na dele.

Por um momento, as respirações de ambos se cruzaram, quentes e erráticas. Clio cerrou os olhos, esfregando a ponta do nariz bem de leve na dele. Isaac, por sua vez, estendeu as mãos, a princípio hesitantes, envolvendo a cintura dela.

Só então os lábios se encontraram, mornos e gentis, embora houvesse também por detrás daquelas sensações algo de desespero.

Foi ela quem primeiro se afastou, inspirando pesadamente. Diante do movimento dela, Isaac a soltou, antes de se deparar com os olhos escuros de Clio encarando-o com um brilho ligeiramente curioso.

- Clio, eu...

A loira não o deixou terminar, depositando um dedo sobre os lábios do rapaz enquanto meneava a cabeça.

- Nada de desculpas. Nem de promessas. Deixe as coisas acontecerem sozinhas. Mais tarde, quem sabe, pode ser que aqueles que realmente amamos percebam a burrada que fizeram. – ela sorriu, voltando a ficar na ponta dos pés, aproximando-se mais uma vez – E, até lá, ao menos teremos um ao outro.

As palavras dela ecoaram por algum tempo na mente de Isaac. O que Clio estava propondo não era exatamente certo do ponto de vista moral, nem de acordo com nada que ele aprendera. Apesar disso, naquele instante, ele não se importava realmente com isso.

- Como você queira então. – ele respondeu simplesmente, antes de voltar a beijá-la.


Nossa Volta, Níver do Amaterasu e Scrap MTV


Como prometido, estamos voltando a colocar os sites nos trilhos. Sei que deve demorar um pouco para todos voltarem a comentar, porque o problema demorou a ser sanado... Mas, esperamos que voltem logo a nos visitar.

Aproveitando a deixa, não deixem de passar no Amaterasu para comemorarmos dois anos do nosso site spin off!!!

E, claro, parabéns para mim, para a Lulu/Mina e para a Sel/Selune!!!!

E finalizando, sabiam que o Expresso Hogwarts apareceu no Scrap MTV em uma entrevista do Robson Reis (Crepusculinho). Pois é, mas colocaram a entrevista no dia errado. Por isso, também em apoio ao Robwan, vamos aderir à campanha: Reprisem o ScrapMTV





Segunda-feira, Setembro 07, 2009



NOVO COMUNICADO (ou a volta dos que não foram parte 2)




Acho que vou conseguir fazer as coisas voltarem ao normal por aqui até quarta-feira!!! O que aliás, me lembra de convidar a todos vocês para o aniversário do Amaterasu (além do meu e da Lulu/Mina/Silverghost) no dia 09/09

Dia 10/09 é aniversário da Selune e no fim de semana, dia 13/09 é aniversário de Bella Swan e também UM ANO de New Dawn!

A festa vai ser modesta, mas, mesmo assim, convidamos a todos para participarem!!!

E para completar, agora nós temos um TWITTER: http://twitter.com/crimsonmark

Assim, se tivermos novamente qualquer problema com os sites, temos um lugar para nos comunicarmos com vocês e também para postarmos planos, convites e qualquer bobeira que quisermos.


Abraços, Katchiannya/Meri








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